Beatriz Paoletti | Redação
ANDA
Segundo
especialistas no comportamento de gatos e médicos veterinários ouvidos pelo G1,
a dinâmica do home office e a retomada ao trabalho presencial podem afetar o
comportamento e humor do gato, e por isso, é necessário manter o máximo que for
a rotina dos gatos, assim evitando o estresse deles.
É importante que o tutor crie momentos específicos para brincadeiras com brinquedos diferentes; mantenha um lugar determinado e agradável para o gato e perto do local de trabalho (home office). Prestar atenção nas mudanças comportamentais; não interferir muito na rotina do animal e respeitar a individualidade do gato são dicas cruciais. Outras dicas são: incluir as crianças na rotina de cuidados e de brincadeiras do animal (com supervisão de adultos) e manter a alimentação regular, com cuidado para não exagerar na ração e em petiscos.
Segundo a doutora em
comportamento felino na empresa WellFelis, Juliana Damasceno, a rotina do gato
precisa ser assídua por conta da natureza territorialista do animal.
“Gato é um animal territorialista. Ele determina o território com os recursos
que precisa na natureza e faz o mesmo dentro de casa. Para o bem-estar dele,
esse controle territorial é crucial e está relacionado com a rotina, com a
percepção temporal”.
É necessário respeitar os momentos de relaxamento do gato, e por
isso não é correto acordar os gatos durante suas habituais sonecas a
tarde. “Esse momento de inatividade é muito importante para eles”, fala
Juliana.
Registros de gatinhos deitados em notebooks são bonitinhas, mas
denotam muito da relação do gato e do tutor. “Provavelmente são gatos que não
têm aquele contato diário e estão querendo chamar atenção, aproveitando que o
tutor está em casa”, conta a doutora. “Isso acontece, porque o tutor não tem os
horários de atenção consistentes.”
Em caso de falta de horários com atenção constante, é
recomendado o tutor colocar a cama do gato próxima ao local de trabalho,
criando um espaço agradável para ele. Outro ponto é fazer isso sem dar bronca
no animal: “Você pode falar ‘não’, mas a repreensão não é entendida como ‘estou
errado. Você coloca a caminha no lugar certo e ele deve ir para lá.”
“O gato é muito fácil de redirecionar desde que você seja sutil
assim como ele é. Não adiantar usar a mesma comunicação dos cães com os gatos.
Não vai ser a mesma resposta, é uma espécie muito diferente.”
Com quatro gatos em casa, Juliana adaptou parte da mobília para
gatos. Ela tem, por exemplo, prateleiras para felinos, e coloca uma caminha em
cima da mesa e deixou outra no chão. Juliana conta que durante a entrevista
todos estavam deitados próximos a ela sem ficarem incomodados.
“Faça um local confortável, aconchegante pro gato, perto de
você, mas não fique interagindo fora do horário.”
Em relação ao horário de brincar, Juliana diz que o pico da
atividade dos gatos é no início da manhã e à noite, momentos em que pessoas que
moram na casa normalmente estão de volta. É
importante ter esses momentos de diversão para que o gato não sofra na volta do
trabalho presencial.
Como identificar um gato irritado
Segundo Juliana Gil, veterinária comportamentalista da clínica
PsicoVet, os gatos tendem a ficar incomodados com a interação excessiva dos
moradores da casa.
Fugir do carinho, ficar de costas ao tutor, se manter em seus
locais favoritos e isolados indicam muitas vezes que estão irritados.
“O que acontece é que as pessoas estão em casa em um momento
emocional difícil, então a tendência é que elas vão procurar ficar como gato,
abraçar, pegar no colo por mais tempo”, diz Juliana.
Carlos Gabriel Dias, da clínica veterinária The Cat From Ipanema,
diz que é preciso que os tutores presentem atenção e respeitem a personalidade
dos seus gatos. “Se você olha para o animal e ele está mostrando comportamentos
diferentes do habitual pode ser um sinal também.”
Outros comportamentos que podem indicar alterações que,
necessitam muitas vezes de ajuda médica, é o gatinho comer e dormir demais.
Outra questão possivelmente preocupante é o gato deixar de fazer coisas que
normalmente fazia, como subir em prateleiras, arranhar.
Respeitar os espaços que os gatos determinam como deles é
relevante para evitar a irritação dos animais. “Eles precisam ter a certeza de
um local em casa que ninguém vai acessar. Então se eles estiverem lá, não é
para mexer”, diz.
Crianças x gatos
Caso crianças e gatos não se deem muito bem em dias normais, no
período de férias escolares a casa pode ficar um caos.
A veterinária Juliana Damasceno sugere aproximar as crianças
para a rotina de brinquedos e de manutenção de limpeza do gato. “Tenho feito
brinquedos para gatos em casa, com caixa de papelão. As crianças podem ser
envolvidas para pintar e até construir junto mesmo.”
“É preciso que as atitudes sejam recompensadoras para os dois e
sejam previsíveis, consistentes e positivas pro gato.”
Ela lembra que gatos não gostam de ser apertados e nem toda hora
ficar no colo, ações comuns ás crianças: “Tem que ensinar que ele gosta de
carinho onde ele está, gosta de carinho na cabeça, no queixo, nas bochechas,
brincadeiras com varinhas, penas.”
“A gente tem que envolver a criança na brincadeira e na responsabilidade”,
completa Juliana Gil. Ela também recorda da importância da supervisão de
adultos nessa interação gatos e crianças.
Quanto as brincadeiras, a especialista recomenda separar dois
momentos do dia para brincar: “Você brinca com os gatos e vai alternando os
brinquedos, assim eles ficam sempre interessantes e estimulantes pro animal.”
“Este é o momento de aproveitar que você está em casa para fazer
tudo que o veterinário pede, mas você sempre diz que não faz porque não tem
tempo”, explica o veterinário.
Fonte: anda.jor.br
Colaboradores:
Comissão de Bem Estar Animal da OAB Alagoas
Mondo Pet – rua dona Constância 354 Jatiúca
@defesaanimalemacao
Consultório veterinário dr Marcelo Lins 999815415
Vereadora Teca Nelma
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