Foto: Christiano
Yamasaki
Os sete cães que passaram mal após comerem salsichas com anzóis,
em Valinhos (SP), foram submetidos à retirada de pontos e receberam alta
cirúrgica na segunda-feira (18). De acordo com o médico veterinário que cuidou
de seis dos animais, a partir de agora, o tratamento de todos será feito por
meio de acompanhamento alimentar.
“O cuidado com a
alimentação é para manter o processo de cicatrização [dos pontos retirados]. Em
breve, eles vão estar liberados para voltar à vida normal”, detalhou Christiano
Yamasaki.
Dos sete cães, quatro ainda estão no lar temporário onde o
episódio aconteceu, no dia 3 de outubro, e três já estão com as famílias.
“A gente espera que eles [policiais] consigam localizar quem
cometeu o atentado contra esses cães e que a Justiça faça o que tem que ser
feito”, disse Yamasaki.
O episódio foi
registrado na Delegacia de Valinhos como crime contra o meio
ambiente mediante prática de ato de abuso a animais.
Nesta segunda, o delegado à frente do caso, João Neves, informou
à apuração da EPTV, afiliada da TV Globo, que durante a investigação tomou conhecimento
sobre uma pessoa que havia comprado anzóis em uma loja da cidade um dia antes
do atentado contra os cães.
De acordo com o titular, a investigação apontou que o indivíduo
voltou ao estabelecimento, após a repercussão do caso, para questionar se o
local possui câmeras de segurança. Ele foi ouvido, mas por falta de provas, não
foi considerado formalmente suspeito, informou Neves.
O ocorrido segue em investigação pela Delegacia de Valinhos, que
aguarda o resultado de uma perícia feita nas salsichas com anzóis.
O caso
O episódio aconteceu em uma hospedagem para cães, no dia 3 de
outubro. De acordo com a proprietária do local, Dulce Miragaia, os cães saíram
para brincar do lado de fora e, na ocasião, encontraram uma armadilha feita de
salsichas lotadas de anzóis.
Um dos cachorros tinha 34 destes objetos no estômago. A EPTV
teve acesso aos exames de raio-x.
Raio-x mostra anzóis dentro do estômago de cachorros — Foto: Reprodução/EPTV
O local não tem
vizinhos e circuito de segurança, mas a proprietária suspeita que alguém colocou
a armadilha durante a madrugada.
“A princípio, eu achei que era veneno. Eu vi que alguns já
estavam comendo, aí eu chamei um pessoal que faz um raio-x móvel para ver quais
cachorros tinham comido a salsicha”, disse Dulce na ocasião.
Já o médico veterinário Yamasaki, que faz o acompanhamento do
estado de saúde dos cães, ficou impressionado com a maldade da ação.
“É uma coisa que eu fiquei assustados de ver. Além do que tinha
34 anzóis, tinha um com 11 anzóis, outro com seis, entre estômago e intestino.
[…] Eu já tirei todo o tipo de artefato ingerido acidentalmente, mas assim, de
forma criminosa eu nunca vi, porque o anzol não mata, foi para machucar mesmo e
dificultar a remoção”, lamentou Yamasaki.
Crime com penas mais
duras
Maltratar animais é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais,
que ficou mais rigorosa no ano de 2020. A pena varia de dois a cinco anos de
prisão, além de multa que pode ultrapassar o valor de R$ 300 mil. Se o animal
morrer, a penalidade aumenta.
“Essa pena pode ser aumentada de entre 1/6 e 1/3. É um crime
afiançável, mas por conta dessa nova pena, o delegado não pode mais arbitrar a
fiança, que só pode ser arbitrada pelo juiz na audiência de custódia”, explica
a advogada criminalista Carolina Defilippi.
Fonte: G1
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