Amanda Andrade | Redação ANDA
Foto: Reprodução | Compre Rural
Em mensagens ao
relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o
Brasil se opôs a recomendações para reduzir o consumo de carne no mundo e
rebateu críticas à política ambiental do governo Jair Bolsonaro.
Os debates foram travados durante a elaboração do sexto relatório de avaliação do IPCC, que será um dos
documentos de referência na COP26, conferência das Nações Unidas sobre mudanças
climáticas que começa no dia 31 de outubro em Glasgow, na Escócia.
Além do Brasil, a
Argentina, a Austrália, o Japão e países da OPEC (Organização dos Países
Exportadores de Petróleo), conhecidos por serem produtores e consumidores de
carvão, petróleo, carne e ração animal, atividades ligadas diretamente ao
aquecimento global, fizeram lobby para que o IPCC retirasse do relatório recomendações
sobre a redução do uso de combustíveis fósseis e trechos do documento que
incentivam diminuir o consumo de carne e laticínios como forma de combater o
aquecimento global.
Brasil contra redução do consumo de carnes
Segundo reportagem da BBC,
documentos vazados pela ONG Greenpeace UK mostra que, nas mensagens ao IPCC, o
Brasil se opôs fortemente à conclusão do relatório de que a adoção de uma dieta
com menos carnes e mais alimentos feitos de plantas seria necessária para
combater a mudança do clima.
O argumento foi endossado pela Argentina e, em menor grau, pelo
Uruguai – outros dois grandes produtores de carne.
A produção de carne é um dos principais fatores por trás do
desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Isso porque a vegetação nativa é muitas
vezes derrubada para dar lugar a pastagens ou plantações de soja, que alimentam
rebanhos.
O rascunho do relatório do IPCC diz que “dietas à base de
vegetais podem reduzir as emissões em até 50% comparado com a média de emissões
da dieta Ocidental.””
Ao IPCC, porém, o Brasil argumentou que a produção de carne não
necessariamente emite mais gases causadores do efeito estufa do que a produção
de alimentos feitos de plantas.
Tanto Brasil quanto Argentina defenderam que os autores do
relatório do IPCC apaguem ou modifiquem trechos do texto que falam que “dietas
à base de vegetais” cumprem um papel na gestão das mudanças climáticas ou que
descrevem carne vermelha como um alimento de “alta emissão de carbono”.
O governo brasileiro citou a definição da Organização Mundial da
Saúde (OMS) sobre uma dieta saudável, segundo a qual a dieta deve “considerar
recomendações nutricionais internacionais; (e) a adaptabilidade a contextos
sociais, culturais e econômicos locais”.
Segundo o governo brasileiro, tanto dietas vegetarianas quanto
dietas com carnes podem gerar altas emissões na sua produção, dependendo da
metodologia de produção, mas também há formas de reduzir essas emissões,
segundo o governo.
O Brasil argumentou que a pecuária, quando integrada com
práticas agrícolas e conservacionistas, “pode neutralizar emissões e promover
um sistema de produção equilibrado e diversificado, portanto, resiliente”.
Além disso, disse que “os benefícios nutricionais da proteína
animal para a saúde humana não podem ser desconsiderados”.
Segundo a USDA, agência agrícola do governo americano, o Brasil
é o segundo maior produtor do mundo de carne bovina e seus derivados, só atrás
dos EUA. Em 2020, 16,67% da carne bovina consumida no mundo veio do Brasil,
segundo a agência.
A coordenadora de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil, Fabiana
Alves, declarou ser “vergonhoso” que mensagens do governo brasileiro
questionando a urgência de modificar o sistema econômico para conter a crise
climática venham a público.
“Isso evidencia o quanto o governo Bolsonaro e seus
representantes estão preocupados única e exclusivamente com seus próprios
interesses e com o lucro de poucos em detrimento do sofrimento de muitos”,
afirmou.
Fonte: anda.jor.br
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