Mariana Dandara | Redação ANDA
Foto: Karime Najjar/Arquivo pessoal
A tatuadora Karime Najjar passava
por uma praça em Goiânia quando viu um adestrador usar em um cachorro o que
aparentava ser uma coleira de choque. Embora não seja proibida a utilização do
dispositivo no estado, um projeto de lei prevê a proibição por conta da
crueldade do objeto, que causa estresse e dor nos animais.
A testemunha alegou que o
cachorro se contorcia quando o dispositivo era acionado. Indignada, ela
contestou o tutor do cachorro e o adestrador, que estavam juntos ao lado do
animal e não deram atenção ao seu apelo. O caso é investigado pela Polícia
Civil.
“Sempre que o cachorro se
afastava do tutor, o adestrador acionava o choque, e o animal parecia sentir
dor. Eu decidi registrar porque eu precisava fazer alguma coisa. Eu não
conseguiria ver aquela cena e não fazer nada”, contou a tatuadora, que filmou a
cena que presenciou.
O outro lado
da história
O advogado Bruno Winicius Queiroz
de Morais, que defende o adestrador e o tutor do cachorro, informou que, de
fato, a coleira liberava um impulso eletrônico, mas não dava choque. Segundo
ele, o animal também não se contorcia quando o dispositivo era acionado.
Apesar das alegações da defesa, o
caso repercutiu negativamente, levando a Delegacia Estadual de Repressão a
Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) a iniciar uma investigação. “Apesar de não
existir uma lei estadual que proíba o uso desse tipo de coleira, existe uma lei
federal para crimes de maus-tratos. O que vamos apurar é se essa coleira causou
algum sofrimento a esse animal, o que pode configurar crime”, afirmou ao G1 o
delegado Luziano de Carvalho.
Conforme explicado pelo delegado,
não é proibido usar esse tipo de coleira em Goiás. Isso pode mudar, entretanto,
caso um projeto de lei de autoria do deputado estadual Eduardo Prado (DC) seja
aprovado e sancionado. A proposta proíbe a venda e o uso de coleiras de choque
e impulso eletrônico “com o intuito de controlar o comportamento de animais,
inclusive, para adestramento”.
Em tramitação, a proposta precisa
ser avaliada pela Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e pelo
Plenário. Caso seja aprovada, ela seguirá para as mãos do governador Ronaldo
Caiado (DEM), que decidirá pela sanção ou pelo veto.
Fonte: anda.jor.br


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