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domingo, 16 de maio de 2021

Rapaz desempregado que se negou a abandonar cão volta para sua cidade com ajuda de ONGs

 

Mariana Dandara | Redação ANDA


Foto: Arquivo Pessoal

Aos 28 anos, Marco Aurelio Ferreira decidiu deixar Rondônia para buscar um emprego em Curitiba, no Paraná. O sonho de uma nova vida em uma cidade diferente, porém, não deu certo e ele se viu desempregado, sem recursos financeiros, junto de seu marido e do cachorro do casal. Mas se por um lado faltava tanto, por outro sobrava amor – não só entre os humanos, mas também com o animal. E foi justamente o afeto que fez Ferreira não abandonar o cão – atitude que comoveu voluntários de três ONGs que, unidos, possibilitaram o retorno da família para a terra natal.

Recém-chegado ao Paraná, Ferreira buscou em Curitiba uma oportunidade de emprego, mas com pouco mais de uma semana na cidade, percebeu que seus planos não dariam certo.

“Muita gente comentou que aqui era muito bom para trabalhar, eu me iludi. Cheguei atrás de propostas de emprego que vi nas redes sociais. Tinha um dinheiro de reserva que economizei e fui ficando. Depois de uma semana, vi que não tinha mais recursos e estava sem rumo”, contou ao G1.

Quando o casal percebeu que não daria certo permanecer na cidade paraense, usaram o pouco dinheiro que restava para comprar as passagens de volta. Faltava, no entanto, o valor do transporte do cachorro. E sem ele a viagem não aconteceria.

“Não tinha como levá-lo nem para o abrigo da prefeitura. Disseram que tínhamos que abandoná-lo para passar a noite. Mas não havia nenhuma chance de isso acontecer, então passamos a noite na rodoviária”, disse Ferreira em um relato que expõe a falta de políticas públicas para pessoas sem teto que incluam seus animais.

Na última quinta-feira (13), o casal e o cão Spike ficaram na rodoviária, suportando frio e fome. “Passamos a noite na rodoviária, passei muito frio. Mas comecei a ir atrás de todo mundo que pude. Busquei ajuda mesmo”, contou.

E a tentativa de Ferreira funcionou. Através das redes sociais, ele iniciou uma mobilização que chegou às ONGs Instituto SOS 4 Patas Paraná, Animais Sem Teto e Amigo Animal. Juntos, os protetores de animais que atuam nas entidades conseguiram comprar a passagem de Spike.

“Me deram até um dinheiro para me ajudar quando eu chegar à minha casa. Não tenho nem explicação pelo que fizeram por mim. Achei que tudo ia se acabar aqui, mas vi que é uma luz que apareceu no fim do túnel”, comentou.

“Curitiba era um sonho desde quando eu era mais novo. Via fotos, a cidade encanta a gente. É uma cidade dos sonhos, mas não esperava levar um tombo tão rápido. Temos que cuidar com as decisões, pois a ilusão existe sim”, alertou.

Ao falar sobre seu companheiro de quatro patas, Ferreira deu um verdadeiro exemplo de ética e compaixão ao reforçar que jamais o abandonaria. “Muita gente pode me criticar por parar a minha vida por causa de um cachorro. Eu poderia ter o deixado, mas defino isso em três palavras: quem ama cuida”, afirmou.

Embora seja formado em administração de empresas, Marco Aurelio Ferreira enfrenta a dura realidade do desemprego há seis meses. Apesar de ainda não saber qual será seu destino, a ajuda que recebeu das ONGs lhe fez ter esperança de que a situação irá melhorar.

“Ninguém me julgou pela aparência, por escolha, caráter. A gente vive um mundo onde cada um vive a crueldade que criou com suas próprias mãos. A sociedade não tem que julgar se é mais rico, mais pobre, tem carro ou não. Todo mundo tem que se igualar e não querer ser melhor que ninguém”, asseverou.

E se para ele a ajuda recebida foi de fundamental importância, para os protetores de animais ter o ajudado também fez muito bem. “A gente se comoveu pela história, por ter um cachorro, claro, mas também pela pessoa mesmo. A gente atende muitas situações de maus-tratos que a pessoa abandona, e ele não queria era justamente fazer isso. Estavam tristes, dormiram na rodoviária, passaram fome, frio”, afirmou ao G1 Marine Mazzon, presidente do Instituto SOS 4 Patas Paraná.

“Nosso coração se encheu de amor. A gente se sente realizado em saber que estamos no caminho certo, que estamos fazendo o bem. Temos muitas dívidas, mas não importa, a gente dá um jeito para ajudar o próximo”, acrescentou.

A presidente da entidade aproveitou a ocasião para incentivar a adoção de animais abandonados e relatou ter sob sua responsabilidade, através da SOS 4 Patas, mais de 200 animais entre cães, gatos e galos.

“O único pedido que nós fazemos é para que as pessoas retribuam nosso ato de amor com a adoção. Pois só quem tem um bichinho sabe o quanto eles mudam nossas vidas. Essa é a melhor forma de nos ajudar a continuar ajudando outros animais e pessoas”, concluiu.

Fonte: anda.jor.br

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