Mariana Dandara | Redação ANDA
(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
Os youtubers Nikki e Dan
Phillippi decidiram levar o cão da família, de 9 anos de idade, para ser morto
em uma clínica veterinária após o animal morder, sem gravidade, o filho de um
ano do casal. Eles admitiram que a mordida não foi grave, tendo deixado apenas
uma pequena cicatriz, e relataram ainda que o cão reagiu quando o menino se
aproximou da comida dele – um ato instintivo de defesa que em nada tem relação
com agressividade e que pode ser corrigido com adestramento.
“Depois de vários conselhos,
decidimos que era hora do Bowser partir em paz”, afirmou Nikki ao anunciar a
morte do cachorro aos seus seguidores nas redes sociais.
O casal não esperava, no entanto,
que seriam veementemente criticados por centenas de internautas. A repercussão
negativa do caso foi tamanha que Nikki e Dan privaram suas contas no Instagram
e fecharam os comentários do YouTube para que as pessoas não tivessem meios de
escrever mais críticas.
A situação ficou ainda pior
quando o youtuber decidiu ironizar o fato de ter se tornado alvo de repúdio na
internet, colocando a frase “assassino de cachorro (supostamente)” em um de
seus perfis nas redes sociais.
Os argumentos usados pela dupla
para justificar a decisão de matar Bowser são de que o cão havia “ferido
seriamente dois cachorros”, além da leve mordida na criança, que passa bem.
Para os internautas, porém, o correto teria sido educar o cão ou ao menos colocá-lo
para adoção ao invés de matá-lo.
“Ela [Nikki] tem uma plataforma
pública na qual poderia ter encontrado muitas pessoas que ficariam com o
cachorro e dariam a ele um ótimo lar”, escreveu um internauta.
Nikki e Dan, porém, não parecem
ter cogitado essa possibilidade e argumentaram apenas que a Humane Society
disse que seria impossível realojar o animal. Inclusive, quando anunciou que o
cão havia sido morto, o youtuber afirmou que “queria pegar Bowser pela nuca e
levá-lo para o quintal e colocá-lo ali mesmo”.
O casal foi ainda mais criticado
após Nikki decidir publicar uma sessão de fotos com o cachorro – na qual,
inclusive, seu filho Logan aparece ao lado do animal, que se mostra dócil –
antes de levá-lo para o estabelecimento onde ele foi morto provavelmente por
meio de uma injeção letal.
“O quão doente você deve estar
para fazer uma sessão de fotos com seu cachorro “perigosamente agressivo”
sabendo que você está prestes a acabar com a vida dele? Seu cachorro é tão
agressivo, mas não teve problemas em colocar o bebê ao lado dele para uma
sessão de fotos antes do assassinato?”, afirmou um internauta.
O caso também foi criticado por
influenciadores digitais. A youtuber LaurDIY, que tutela um cão da mesma raça
que Bowser – um bull terrier -, publicou um vídeo por meio do qual repudiou a
atitude do casal. “Eles falharam em estabelecer limites para seu filho e seu
cachorro, que tem um passado óbvio, trauma não tratado que era responsabilidade
deles corrigir e reabilitar”, disse.
Um internauta afirmou ainda que a
morte do cachorro “ultraja os fãs” do casal. “Muitos dizem que ela [Nikki]
poderia ter realojado o animal em vez de acabar com a vida dele”, asseverou.
A diferença entre sacrifício e
assassinato
O primeiro passo após perceber
alguma alteração comportamental ou física em um animal é levá-lo a uma clínica
veterinária. Caso o diagnóstico médico aponte uma doença grave que gere extremo
sofrimento, é necessário que um tratamento seja realizado e, só após um
possível fracasso nessa tentativa de proporcionar qualidade de vida ao animal,
deve-se pensar na possibilidade de sacrifício caso ela seja apresentada pelo
médico veterinário.
O sacrifício só deve ser
realizado quando não houver nenhuma outra alternativa para tratar o animal e
deve ser visto como uma forma de por fim ao sofrimento gerado pelo problema de
saúde. No entanto, essa possibilidade só deve ser cogitada quando um médico
veterinário, que detém conhecimento e experiência, apontar que realmente há
necessidade. Além disso, a paraplegia nunca deve ser considerada motivo para
sacrificar animais, já que eles podem desfrutar de uma vida feliz mesmo sem os
movimentos das patas traseiras.
Há um abismo de diferença, no
entanto, entre o sacrifício e o assassinato. Animais mortos sob a execução de
um cruel método de “controle populacional”, como ocorria frequentemente no
passado com os animais em situação de rua por ordem das prefeituras, ou mortos
por pessoas que justificam ter os agredido – ou até mesmo aplicado neles
injeções letais – para poupá-los de uma doença (muitas vezes sem sequer ter os
levado ao veterinário) são vítimas de assassinato.
Sacrificar é um ato de amor – que
gera muita dor emocional aos tutores que realmente amam os animais – feito para
libertar um animal de um quadro irreversível de sofrimento e não se pode nunca
confundir esse procedimento realizado por veterinários com a brutalidade de
quem submete um animal à crueldade ao matá-lo e depois usa a desculpa de uma
suposta doença para justificar o crime.
Fonte: anda.jor.br

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