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quinta-feira, 13 de maio de 2021

CRUELDADE: Casal faz fotos mostrando que cachorro é dócil após decidir matá-lo por incidente com criança

 

Mariana Dandara | Redação ANDA


(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Os youtubers Nikki e Dan Phillippi decidiram levar o cão da família, de 9 anos de idade, para ser morto em uma clínica veterinária após o animal morder, sem gravidade, o filho de um ano do casal. Eles admitiram que a mordida não foi grave, tendo deixado apenas uma pequena cicatriz, e relataram ainda que o cão reagiu quando o menino se aproximou da comida dele – um ato instintivo de defesa que em nada tem relação com agressividade e que pode ser corrigido com adestramento.

“Depois de vários conselhos, decidimos que era hora do Bowser partir em paz”, afirmou Nikki ao anunciar a morte do cachorro aos seus seguidores nas redes sociais. 

O casal não esperava, no entanto, que seriam veementemente criticados por centenas de internautas. A repercussão negativa do caso foi tamanha que Nikki e Dan privaram suas contas no Instagram e fecharam os comentários do YouTube para que as pessoas não tivessem meios de escrever mais críticas. 

A situação ficou ainda pior quando o youtuber decidiu ironizar o fato de ter se tornado alvo de repúdio na internet, colocando a frase “assassino de cachorro (supostamente)” em um de seus perfis nas redes sociais. 

Os argumentos usados pela dupla para justificar a decisão de matar Bowser são de que o cão havia “ferido seriamente dois cachorros”, além da leve mordida na criança, que passa bem. Para os internautas, porém, o correto teria sido educar o cão ou ao menos colocá-lo para adoção ao invés de matá-lo.

“Ela [Nikki] tem uma plataforma pública na qual poderia ter encontrado muitas pessoas que ficariam com o cachorro e dariam a ele um ótimo lar”, escreveu um internauta. 

Nikki e Dan, porém, não parecem ter cogitado essa possibilidade e argumentaram apenas que a Humane Society disse que seria impossível realojar o animal. Inclusive, quando anunciou que o cão havia sido morto, o youtuber afirmou que “queria pegar Bowser pela nuca e levá-lo para o quintal e colocá-lo ali mesmo”.

O casal foi ainda mais criticado após Nikki decidir publicar uma sessão de fotos com o cachorro – na qual, inclusive, seu filho Logan aparece ao lado do animal, que se mostra dócil – antes de levá-lo para o estabelecimento onde ele foi morto provavelmente por meio de uma injeção letal. 

“O quão doente você deve estar para fazer uma sessão de fotos com seu cachorro “perigosamente agressivo” sabendo que você está prestes a acabar com a vida dele? Seu cachorro é tão agressivo, mas não teve problemas em colocar o bebê ao lado dele para uma sessão de fotos antes do assassinato?”, afirmou um internauta.

O caso também foi criticado por influenciadores digitais. A youtuber LaurDIY, que tutela um cão da mesma raça que Bowser – um bull terrier -, publicou um vídeo por meio do qual repudiou a atitude do casal. “Eles falharam em estabelecer limites para seu filho e seu cachorro, que tem um passado óbvio, trauma não tratado que era responsabilidade deles corrigir e reabilitar”, disse.

Um internauta afirmou ainda que a morte do cachorro “ultraja os fãs” do casal. “Muitos dizem que ela [Nikki] poderia ter realojado o animal em vez de acabar com a vida dele”, asseverou.

A diferença entre sacrifício e assassinato

O primeiro passo após perceber alguma alteração comportamental ou física em um animal é levá-lo a uma clínica veterinária. Caso o diagnóstico médico aponte uma doença grave que gere extremo sofrimento, é necessário que um tratamento seja realizado e, só após um possível fracasso nessa tentativa de proporcionar qualidade de vida ao animal, deve-se pensar na possibilidade de sacrifício caso ela seja apresentada pelo médico veterinário.

O sacrifício só deve ser realizado quando não houver nenhuma outra alternativa para tratar o animal e deve ser visto como uma forma de por fim ao sofrimento gerado pelo problema de saúde. No entanto, essa possibilidade só deve ser cogitada quando um médico veterinário, que detém conhecimento e experiência, apontar que realmente há necessidade. Além disso, a paraplegia nunca deve ser considerada motivo para sacrificar animais, já que eles podem desfrutar de uma vida feliz mesmo sem os movimentos das patas traseiras.

Há um abismo de diferença, no entanto, entre o sacrifício e o assassinato. Animais mortos sob a execução de um cruel método de “controle populacional”, como ocorria frequentemente no passado com os animais em situação de rua por ordem das prefeituras, ou mortos por pessoas que justificam ter os agredido – ou até mesmo aplicado neles injeções letais – para poupá-los de uma doença (muitas vezes sem sequer ter os levado ao veterinário) são vítimas de assassinato. 

Sacrificar é um ato de amor – que gera muita dor emocional aos tutores que realmente amam os animais – feito para libertar um animal de um quadro irreversível de sofrimento e não se pode nunca confundir esse procedimento realizado por veterinários com a brutalidade de quem submete um animal à crueldade ao matá-lo e depois usa a desculpa de uma suposta doença para justificar o crime.

Fonte: anda.jor.br

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