A notícia de que a Associação Mata Ciliar terá de deixar a área
de quase três hectares, utilizada há anos para a reabilitação de animais
silvestres, gerou revolta e comoção de moradores, simpatizantes da causa e
ativistas ambientais de Jundiaí. Uma vigília foi
convocada pelas mídias sociais para que as pessoas permaneçam na região próximo
onde obras estão em execução pela empresa VOA-SP, concessionária que administra
o aeroporto sob responsabilidade do Governo do Estado.
A informação de que a VOA-SP notificou extrajudicialmente a ONG,
ontem (17), foi trazida com exclusividade pelo Tribuna de Jundiaí. Segundo o
documento, os animais e equipamentos devem ser removidos da área até amanhã
(19). A justificativa é que o aeroporto passará a operar por instrumentos e irá
incrementar as rotas comerciais. “A manutenção dos animais ao lado da pista de
pouso e decolagem cria riscos, tanto no que tange a gerenciamento de voos
quanto ao ruído aeronáutico e seu impacto na fauna em reabilitação”, ressaltou
a empresa, na notificação.
Vigília
Assim que a notícia foi divulgada, movimentos passaram a ser
organizados para evitar que a Mata Ciliar deixe o local. “Deram 48h para a ONG
Mata Ciliar sair e retirar todos os animais e equipamentos da área próxima ao
aeroporto de Jundiaí. Eles fazem um trabalho primordial de preservação e
cuidado dos animais da nossa região. Por favor compartilhem nas redes e quem
puder ajudar na resistência pessoalmente”, diz a mensagem publicada no
Instagram.
A publicação também
dá orientações sobre a vigília nas proximidades da entidade. “Os ativistas
estão se revezando para ocupar o espaço dia e noite. Quem puder se organizar
para vir, logo cedo já teremos pessoas por lá.
Imagens que circulam
pela internet, hoje (18) pela manhã, mostram até uma barraca de camping
instalada exatamente no ponto em que uma obra é realizada pela VOA-SP, próximo
aos recintos utilizados para reabilitação de animais como onças-pardas,
jaguatiricas e lobos-guarás.
Irregular
De acordo com a VOA-SP, foi sugerido à Mata Ciliar uma permuta
de área, além do custeio de “todas as obras necessárias de mudança e construção
de novos viveiros”.
“Desde 2019, ambas as partes iniciaram diálogo para a devolução
da área e remanejamento total da ONG para outro local do município. Mesmo
assim, a ONG acelerou obras na área da concessionária, construindo viveiros de
animais silvestres a 10 metros da avenida Emilio Antonon e a 300 metros da pista
de pouso, colocando em risco a segurança aeroportuária, em desacordo com a
legislação. A empresa tem constatado diariamente a presença de urubus por conta
dos animais silvestres ali presentes”, destaca, em outro trecho da nota.
Ainda conforme a VOA-SP, o aeroporto existe há 80 anos naquele
espaço e já se configura como um “indutor de desenvolvimento regional”.
A concessionária reforça ainda que tem licença de funcionamento
expedida pela Cetesb e apoia ações sustentáveis, “com programas de carbono free
para combustíveis, a VOA-SP se coloca à disposição para o diálogo, apoiando
ações de suporte à fauna ali existentes assim como todo o meio ambiente”.
Mata Ciliar
Nos últimos dias, a Mata Ciliar tem apontado as obras que estão
sendo realizadas pela VOA-SP naquela região. Vídeos e fotos foram publicadas no
Facebook, cobrando apoio de autoridades e da população para o problema gerado
aos animais silvestres tratados pela ONG.
Especialistas disseram que o barulho das máquinas estaria
afetando os animais, causando estresse em lobos-guarás, jaguatiricas e
onças-pardas. O corte do mato também expõe os recintos usados para reabilitação
dos bichos.
“Pedimos à sociedade que continue intercedendo junto ao Governo
do Estado de São Paulo a intervir pelos animais nesta situação”, escreveu a
ONG.
(Foto: Divulgação/Mata Ciliar)
Por Emerson Leite
Fonte: Tribuna de Jundiaí


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