Carne com chumbinho
encontrada em Rio de Contas e Fulaninha, um dos cachorros encontrados mortos
(Montagen/Divulgação)
Na madrugada do dia
5 de abril, Fulaninha, uma cadela conhecida pelo nome na cidade de Rio de
Contas, na região da Chapada Diamantina, apareceu morta. Fula, como também
era chamada, era dócil, dada a carinhos. Até onde sabiam os moradores que
a tinham como uma cadela comunitária, não apresentava nenhum problema de saúde
que justificasse uma morte assim, tão repentina. Desconfiaram logo de
envenamento. Só neste ano, protetores de animais da cidade calculam que dez
cães e gatos, ao todo, tenham sido mortos.
A morte de Fulaninha, marcante pela fama dela no
município, acendeu o alerta para uma questão que tem se tornado tradicional na
cidade: volta e meia, em Rio de Contas, onde vivem 12,9 mil pessoas, segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aparece um animal morto. Ano
passado, foram 25 cães e gatos encontrados sem vida.
“Isso é histórico, como se
fosse algo cultural da cidade. As pessoas falam com a maior naturalidade de
animais que são mortos”, relatou uma moradora, sob anonimato.
O envenamento e assassinato de animais é crime
passível de prisão. Em Rio de Contas, ninguém foi preso ou enquadrado como
suspeito pelas mortes. A morte de Fulaninha e dos outros 34 animais nunca foi,
de fato, elucidada.
Os animais costumam surgir, sem sinais vitais, ao
nascer do dia. Há suspeita de que os envenamentos pelo raticida chumbinho, cuja
venda é proibida legalmente no Brasil, ou “bola” – junção de remédio com
vidro ingerida pelo animal – sejam realizados à noite. “Nossa suspeita é de que
joguem venenos até pelos muros das casas”, narrou outra moradora.
O problema da matança dos animais já chegou até a
Prefeitura e à Delegacia de Rio de Contas. Mas, ainda não houve nenhuma
resolução dos casos. Na manhã do último sábado (14), duas pessoas que não
quiseram ser identificadas pela reportagem econtraram, próximo a uma praça do
município, um pedaço de carne com chumbinho dentro. A descoberta intensificou
as suspeitas de que os animais sejam vítimas de uma campanha de
envenenamento.
No dia anterior, um cachorro vítima de maus-tratos
foi resgatado da casa de um morador, em Rio de Contas por policiais e levado
para um abrigo de animais na cidade. A Prefeitura de Rio de Contas foi
contatada pela reportagem, mas não respondeu até o fechamento da publicação. A
Delegacia do município não atendeu às chamadas.
Por Fernanda
Santana
Fonte: Correio da Bahia

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