Cachorra tinha dado
cria há poucos dias e morreu com um tiro — Foto: Redes Sociais
A Comissão de
Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já entregou para
Delegacia de Meio Ambiente as imagens das câmeras de segurança que
flagraram a ação policial que terminou com
uma cadela morta a tiros na manhã de terça-feira (30) no Centro de São Luís.
A OAB diz que é preciso investigar o policial por
maus tratos a animais e também por excesso depois dele ter disparado arma de
fogo em uma via pública. Na ocasião, a cadela e os seus filhotes chegaram a ser
resgatados por uma clínica veterinária, mas a mãe acabou falecendo. Já os
filhotes esperam por adoção.
Atualmente, os três filhotes órfãos encontraram
consolo no carinho da fundadora e presidente da ONG Dindas Formiguinhas, Karina
Leda Borjas, nas mamadeiras e na companhia de outros cãezinhos resgatados.
“Como eles são muito pequenos e ainda estão mamando eles precisam de um cuidado
redobrado. Então ontem eles passaram o dia, a noite na “Quatro Patas’. Fizeram
exames, foram vermifugados, passaram por consulta veterinária pra poder ter a
alta e assim seguir pra que a gente faça os cuidados devidos até que eles
estejam aptos pra adoção”.
A cadela parida ainda estava com os pontos da
cirurgia recente e os filhotes ficaram sem a principal protetora. O
representante da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB, Sebastião
Uchôa, já encaminhou à delegacia geral um pedido formal de abertura de processo
administrativo contra o policial responsável pelo tiro. Ele também pediu a
Delegacia de Meio Ambiente que o crime seja investigado.
“Inclusive encaminhando projétil que foi extraído
do corpo da vítima, do animalzinho juntamente com as imagens com o objetivo da
delegada instaurar o inquérito policial para apurar o crime ambiental
demonstrado com o agravante de óbito e ao mesmo tempo o disparo de arma de fogo
em via pública dentro desse contexto”, disse Sebastião Uchôa.
Com as provas, a expectativa é identificar o
policial civil que estava na operação e atirou contra a cadela. Ele deve
responder por maus tratos. Conforme a lei de crimes ambientais, a pena varia de
dois a cinco anos prisão e pode ser aumentada por causa da morte do animal,
isso além de multa e das penalidades administrativas.
O representante da Comissão de Defesa dos Direitos
dos Animais da OAB pontua que o policial deve responder pelo crime. “Em branco
não pode ficar. Uma coisa é certa. Pela natureza da descrição e aquele animal
que tinha sido cirurgiado já, estava gestante, tinha acabado de dar aquela
cria, me parece pelo que eu já levantei já preliminarmente, não colocava em
risco a ninguém. Precisa responder pelo excesso pra não gerar impunidade e que
fique de lição para os demais policiais que eles são protetores da sociedade e
do meio ambiente”.
A forma como a cadela foi morta comoveu as pessoas.
Muitas se candidataram a adoção, mas, antes, vai ser pelo menos um mês de
cuidados e amor para tentar apagar tanta crueldade.“Como protetora não posso
aceitar. Porque você poderia dar um tiro pra cima, um tiro no chão, um tiro na
pata, mas não atirar de tal forma que rompesse toda uma coluna vertebral e o
animal entrasse em óbito na mesma hora. Não tem justificativa. Ela estava
defendendo as crias, é do instinto materno. É defender as suas crias, é
proteger do perigo, mesmo que pra isso ela pague com a vida.”, desabafou Karina
Leda.
A Delegacia de Meio Ambiente disse que o inquérito
policial já foi instaurado, que os envolvidos na ocorrência estão sendo ouvidos
e que os fatos estão sendo apurados com a máxima celeridade.
Fonte: G1

Nenhum comentário:
Postar um comentário