Lorena Rocha l Redação ANDA
Foto: pixabay
Seis integrantes do Engajamundo e
do Fridays For Future Brasil, solicitaram na terça-feira (13) que a meta
brasileira, anunciada no final de 2020, para o Acordo de Paris seja anulada. De
acordo com o grupo, a meta viola o tratado internacional do clima, proposto em
2015.
O Acordo de Paris é um
compromisso firmado entre 195 países com a meta de reduzir a emissão de gases
do efeito estufa e manter o aumento da temperatura do planeta bem abaixo dos
2ºC, e entrou em vigor no dia 4 de novembro de 2016.
Os jovens Txai Bandeira Suruí,
Paloma Costa, Paulo Ricardo Santos, Thalita Silva e Silva, Marcelo Rocha e
Daniel Holanda acusam o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, o ex-Ministro
Ernesto Araujo e a União de terem cometido uma “pedalada” climática ao elevar
os níveis de emissões líquidas atestadas pela NDC (Contribuição Nacionalmente
Determinada).
A
“pedalada” climática
Em 2015, foi apresentada a
primeira NDC do governo brasileiro, que prometia diminuir suas emissões em 37%
em 2025 em comparação aos níveis de 2005. Para 2030, o Brasil estabeleceu a
meta de 43% de redução.
Contudo, a nova NDC mudou os
cálculos dos níveis de emissão de gás carbônico cometido pelo país, de 1,3
bilhão de toneladas de gás carbônico em 2015, em relação a 2025, para 1,76
bilhão de toneladas e 1,2 bilhão de toneladas em relação a 2030 para 1,2 bilhão
de toneladas.
O novo cálculo, ao aumentar os
níveis de emissão produzidos pelo país, consegue então aumentar a margem de
emissões que o Brasil produzirá em 2030, para 400 milhões de toneladas em
relação ao que havia sido estimado anteriormente.
“O Brasil consegue, assim, a
proeza de ter uma meta menos ambiciosa do que a anterior. Isso é uma flagrante
violação do Acordo de Paris, que só admite aumento no nível de ambição das
NDCs, nunca uma redução”, afirma Txai Bandeira Suruí, do Engajamundo.
“Não tem outra forma de intervir
sobre essas políticas públicas que põem em risco nosso futuro e nos deixam mais
longe de cumprir as metas do Acordo de Paris, que já são pequenas”,
complementou Marcelo Rocha. “A pedalada climática feita por este governo é uma
ameaça não apenas para os jovens brasileiros, mas para todo o planeta.”
Repúdio
internacional
O consórcio internacional Climate
Action Tracker rebaixou a meta brasileira de “insuficiente” para “altamente
insuficiente”, e motivou uma carta igualmente inédita de uma rede internacional
de 1,3 mil ONGs para a Convenção do Clima da ONU, pedindo que ela não fosse
acolhida, afirma o site Vegazeta.
O documento compromete ainda mais
a imagem internacional do Brasil, como um país não interessado em se engajar na
frenagem do aquecimento global e impedindo o ingresso do país na Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Apoio
político
Oito ex-ministros do Meio Ambiente,
sendo eles Carlos Minc, Edson Duarte, Gustavo Krause, Izabella Teixeira, José
Carlos Carvalho, Marina Silva, Rubens Ricupero e Sarney Filho, assinaram uma
carta, apoiando o pleito dos jovens.
“Contrariando o texto do Acordo
de Paris, a nossa Constituição Federal e nossa legislação, o governo
brasileiro, por meio de um artifício contábil, concretizou um retrocesso em sua
ambição climática apresentada junto ao secretariado da Convenção do Clima. Essa
colisão com as determinações do Acordo trará sérias consequências negativas
para o Brasil, nesse quadro, manifestamos nosso total apoio à ação popular
apresentada pelos seis jovens ativistas climáticos”. Afirmam os ex-ministros.
Fonte: anda.jor.br

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