Mariana Dandara | Redação ANDA
A advogada e protetora de animais Erileia Lima denunciou um caso de maus-tratos a cães que teria sido cometido pelo Centro de Endemias da Prefeitura de Estreito, no Maranhão. Ao ver uma espécie de “gaiola”, com três cachorros presos sob risco de enforcamento, ser carregada por um carro oficial do município, a ativista decidiu seguir o veículo e, no destino final, encontrou um terreno próximo a um lixão com corpos de cães dentro de valas.
Os três cachorros que estavam na “carrocinha” foram
resgatados e levados para uma clínica veterinária. Após serem examinados, ficou
comprovado que nenhum deles tem zoonoses, nem cinomose, e no máximo podem ter
uma gripe ou pneumonia.
Diante do flagrante, a ativista confrontou o homem que
fazia o transporte dos animais e questionou sobre a realização de exames que
comprovassem que eles estariam doentes. “Com ordem de quem?”, perguntou Erileia
ao tentar descobrir o responsável por ordenar a matança dos cachorros. “Do
dono”, respondeu o homem. “Mas eles não podem, isso é crime”, rebateu a
advogada ao se referir às legislações que proíbem o sacrifício de animais
saudáveis ou com doenças tratáveis que não os condenem à condição de sofrimento
irreversível.
Durante a conversa, que foi registrada em um vídeo, o
homem afirmou que um dos três cachorros seria solto e que outro estava doente.
“Esse está magro, está precisando comer”, disse a ativista após a alegação do
rapaz de que o animal estaria com uma doença. “Ele não aparenta doença, mas
está doente”, respondeu o homem.
No terreno onde as covas foram abertas, a advogada
filmou marcas no chão que, segundo ela, seriam dos corpos dos cachorros
arrastados em direção às covas, e também pegadas humanas. Ela mostrou ainda um
cachorro que comia ração e contou que estava alimentando-o e tentando ganhar a
confiança dele.
“Aqui no
local onde são desovados os animais, tem bastante urubu e esse [cachorro] é um
dos que iam ser sacrificados. Estou tentando ganhar a confiança dele pra levar
ele de volta. Estou alimentando, dei água e aqui a gente pode ver que têm umas
pegadas [de humanos] novas”, afirmou.
Erileia disse ainda que “provavelmente têm animais
saudáveis” mortos dentro da vala. Ela também filmou restos mortais de cães pelo
chão, além de seringas.
Em busca de punir os responsáveis pelo crime e evitar
novas mortes, Erileia pediu ajuda ao vereador de São Paulo, Felipe Becari, que
acionou o Ministério Público do Maranhão e publicou uma nota de repúdio por
meio da qual denunciou que injeções contendo cloreto de potássio 10% foram
aplicadas nos cachorros. O parlamentar explicou que o produto paralisa os
músculos e causa a morte do animal de maneira agonizante.
O gabinete do vereador também divulgou um ofício por
meio do qual solicitou que seja feita uma investigação para punir os
responsáveis pelo caso. “Agentes públicos cometerem tais atos é uma coisa
chocante. Têm leis estaduais no Maranhão que impedem que os animais sejam
transportados dessa forma”, afirmou Becari ao programa Cidade Alerta, da
Record. O parlamentar reforçou ainda que a carrocinha é ultrapassada e que nela
“o animal é tratado como lixo”. Ele se comprometeu também a acionar o Conselho
Federal de Medicina Veterinária.
A ação da prefeitura, segundo
Becari, é executada “de forma clandestina, irregular e criminosa” e leva o
animal a sentir muita dor. “Não tem morte instantânea, nem sem dor”, reforçou
Becari.
Além da prática de maus-tratos,
os responsáveis pelas mortes dos cachorros podem responder também pelo descarte
irregular dos corpos dos animais, crime com pena de 1 a 4 anos de reclusão. O
abuso cometido contra os cães é passível de pena de prisão de até 5 anos, além
de multa e da proibição de tutelar animais.
Punição
A pressão feita pelas autoridades
após a repercussão do caso levou à exoneração de agentes públicos. Conforme
relatado pelo vereador Felipe Becari, todos os funcionários da prefeitura que
tiveram participação nos crimes foram exonerados, “incluindo o diretor e o
coordenador do Centro de Endemias do município de Estreito/MA”.
“Além da recolha administrativa
do veículo utilizado na captura dos animais (“carrocinha”) e, ainda, da
instauração e andamento de todo o processo criminal para que os envolvidos
sejam punidos”, afirmou.
O vereador
contou ainda que recebeu relatos de moradores da cidade que ficaram chocados
com os crimes. “Recebi centenas de mensagens de moradores do município
perplexos pelos acontecimentos, alguns citando inclusive que seus animais ‘desapareceram’
tempos atrás após saírem de suas casas, com o provável destino agora
descoberto. Se por um lado isso tudo não fará com que os animais voltem a
viver, fico bem satisfeito pela força das minhas redes e do programa televisivo
que fizeram com que essa matança fosse terminada, principalmente em se tratando
de uma atuação à distância, conosco aqui em São Paulo”, disse.
“Denunciem, sempre, e procurem enviar os fatos e
mídias para pessoas que realmente possam ajudar, antes mesmo de postar na
internet. Esse caso mostrou que o trabalho ‘nos bastidores’ antes da divulgação
em massa tem resultados muito mais efetivos”, concluiu.
(Foto: Reprodução/Instagram/Felipe Becari)
Fonte: anda.jor.br





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