O Lance Notícias foi
procurado mais uma vez por moradores da Linha São Sebastião, divisa com Xanxerê
e Faxinal dos Guedes, às margens da BR-282, para expor a indignação quanto ao
uso de animais para possíveis rituais.
Desta vez, foram um bode
e diversas aves. O morador que passou pelo local e flagrou a cena, questiona
quem fará a remoção dos animais da rua, já um pouco mais a frente do local, foi
deixado o restante o animal utilizado no ritual.
Ninguém foi flagrado, mas é bastante comum o uso dessa estrada em
questão para este fim. Sobre o assunto, o STF decidiu que “é constitucional a
lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade religiosa, permite
o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz
africana”.
Fotos: Divulgação
Por Felipe Bastos
Fonte: Lance Notícias
Nota
do Olhar Animal: Maus-tratos são
maus-tratos, independentemente de ocorrerem em rituais, abate para consumo ou
qualquer outra forma de exploração animal. O sacrifício ritualístico de animais
ocorre em diversas religiões. E de todas elas deve ser banido, inclusive os
sacrifícios ocorridos nas celebrações cristãs, como os que acontecem no Natal e
Páscoa. O que é justo é que animal algum tenha o destino que lhe é dado em
práticas religiosas, sem exceção. Porém, quem explora os animais para rituais
se esconde atrás de argumentos como o da isonomia em relação ao tratamento
dispensado a outros grupos religiosos. Escondem-se também atrás da “liberdade
religiosa”, preceito constitucional que jamais se aplicaria se as vítimas
fossem humanas.
Infelizmente, parte do ativismo animalista
“comprou” esse discurso, mas não o sustenta quando o tema são outras áreas da
exploração animal. Por exemplo, ativistas jamais se posicionaram contra a
aprovação de leis estaduais de proibição ao uso de animais em circos, ainda que
em outros estados a atividade continuasse liberada. Jamais alegaram algum tipo
de discriminação contra os povos de Alagoas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,
Paraíba e Pernambuco, pelo fato de nestes estados terem sido aprovadas leis que
proíbem animais em circo, mesmo que baianos, amazonenses, goianos, potiguares,
sul-matogrossenses e outros não vivenciem a mesma restrição. Por conta desta
falta de simultaneidade, a proibição ao uso de animais em circos não deveria
ter ocorrido em 12 estados? Esta abrangência parcial e circunstancial
representa alguma forma de discriminação? Fôssemos considerar este raciocínio,
não seria justo querer que uma outra pessoa se torne vegana sendo que a maioria
dos humanos não o é e não se tornará vegana simultaneamente. O ativismo
sustentar que, se a proibição não alcançar todas as religiões, a interrupção
NÃO deve ocorrer, é tudo que quem explora quer ouvir de quem, a princípio,
deveria defender os interesses dos animais. Quando estes protetores tratam de
rituais, tiram o foco dos interesses dos animais e passam o foco para os
interesses humanos. Interesses egoístas, diga-se de passagem, pois os rituais
se destinam à obtenção de benesses para quem os pratica, às custas do
sofrimento e morte dos bichos. Por isso, é lamentável ver ativistas defendendo
que o fim das mortes em rituais de religiões de matriz africana só deve ocorrer
quando acabarem nas demais religiões. Desconhecemos que estes ativistas tenham
lançado alguma campanha ampla pelo fim do uso de animais em rituais para todas
as religiões nas vezes em que o tema veio à tona (aprovação de lei sobre o
assunto no RS ou por ocasião do julgamento da questão pelo STF, por exemplo).
Estes ativistas se restringem a proteger os rituais destas religiões e se
omitem sobre a defesa de suas vítimas. Não querem ficar “mal na fita” e serem
acusados de racismo, etnocentrismo e outros “ismos”. Assim, optam por um “ismo”
socialmente mais aceito: o especismo. E, defensivamente, imputam os outros
“ismos” a quem se mantêm firme na defesa incondicional dos animais. Não há
dúvidas de que esta é uma posição vergonhosamente especista e que colabora para
o prolongamento do sofrimento e a morte impostos aos animais.




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