Herança do período colonial, as charretes puxadas por cavalos
foram proibidas em Petrópolis, no Rio de Janeiro. A cidade mantinha a
opção de transporte para atividades turísticas, mas precisou se atualizar e
buscar alternativas para substituí-la.
Em 2019, foi testado nas ruas o tuk-tuk – espécie de triciclo
motorizado com lugares para passageiros. Cada veículo tinha capacidade de
transportar duas pessoas. O modelo já era usado em Campos do Jordão, destino
turístico em São Paulo.
A Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans)
também testou o uso de charretes elétricas. A carruagem de estilo vitoriano
movida a motor elétrico mantém toda a “pompa” do passeio, mas sem sacrifício
animal.
Também um modelo de
jipe foi colocado nas ruas com o objetivo de atender pontos específicos do
centro histórico e circuitos rurais. Além de uma jardineira com capacidade para
32 pessoas.
Ao todo, 12 empresas se inscreveram nos testes de veículos para
substituição e cinco modais passaram pelos testes. O período de transição teve
início em fevereiro de 2020, mas, com a pandemia, só em fevereiro deste ano as
alternativas turísticas começaram a circular – ainda que de forma
experimental.
São cinco modelos
disponíveis: jipe, tuk tuk motorizado, carro antigo, trenzinho e charrete
elétrica. Sendo que este último está temporariamente suspenso por problemas
técnicos.
O embarque dos tuk tuks acontece na Praça Princesa Isabel,
enquanto os carros antigos (veículo inglês Vauxhall, do ano 1949) acontece na
Praça 14 Bis. Os trenzinhos saem da calçada do Museu Imperial e os jipes da Rua
Alfredo Pachá. “O cumprimento dos protocolos de saúde, como higienização dos
veículos, disponibilização de álcool em gel e uso de máscaras são exigências e
serão rigorosamente observados”, garante, em nota, o município da região
serrana do Rio de Janeiro.
O fim das charretes
por tração animal é fruto da pressão popular. Em 2018, além das eleições
políticas, a população teve plebiscito para decidir o futuro das charretes. Foram 68,58%
de votos contra e 31,42% a favor das charretes puxadas por cavalos. Até então,
13 charretes e 39 cavalos, usados em escala de revezamento, circulavam no
centro histórico da cidade.
Cinco meses após a votação, a prefeitura de Petrópolis decretou
o fim das atividades das “vitórias” – como eram chamadas as charretes
tradicionais. Segundo a gestão, todas as 15 famílias que integravam o grupo de
charreteiros foram cadastrados pela Secretaria de Assistência Social. O
objetivo seria apresentar soluções de empregabilidade aos trabalhadores, que
exerciam suas funções legalmente.
Foto: CPTrans / Divulgação
Por Marcia Sousa
Fonte: Ciclo Vivo





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