Mariana
Dandara | Redação ANDA
O desmonte ambiental
promovido pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e a morte dos 600
animais silvestres que foram negligenciados no Centro de Triagem de Animais
Silvestres (CETAS) do Ibama em Seropédica (RJ) foram alguns dos assuntos
discutidos no debate promovido pelo eurodeputado Francisco Guerreiro e pela
presidente da ANDA, Silvana Andrade.
O eurodeputado Francisco Guerreiro (Verdes/ALE) e
Silvana Andrade, presidente da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA),
realizaram o segundo debate ao vivo nas
redes sociais, mediado pela jornalista Patrícia Matos, para tratar de temas
relacionados aos direitos animais e ambientais. Promovido mensalmente, o
encontro desta semana contou com a participação do deputado federal David Miranda
(PSOL), que levanta em seu mandato as bandeiras animal e ambiental. Uma de suas
últimas iniciativas tem como objetivo impedir que ocorra um desastre ambiental
em Fernando de Noronha por conta dos desmandos de Bolsonaro.
Recentemente, o parlamentar,
junto dos demais deputados do PSOL que integram a bancada do partido na Câmara,
assinou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para sustar o leilão que
pretende conceder à iniciativa privada áreas próximas ao arquipélago de
Fernando de Noronha para exploração de petróleo e gás natural.
O leilão foi justamente um dos
assuntos discutidos ontem, além do desmonte ambiental promovido pelo governo de
Jair Bolsonaro (sem partido), a morte dos 600 animais silvestres que foram
negligenciados no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Ibama em
Seropédica, no Rio de Janeiro, as negociações entre a União Europeia e o
Mercosul e os efeitos nocivos da agropecuária sobre o meio ambiente, dentre
outras questões.
Durante o debate, o
eurodeputado Francisco Guerreiro pontuou que o acordo com o Mercosul não pode
ser feito sem que a agenda ambiental seja considerada. Vegano e ativista pelos
direitos ambientais, Guerreiro se dedica à luta pela preservação da natureza e
por isso, considera que não se pode dar carta branca para que Bolsonaro
perpetue sua política destrutiva que coloca o meio ambiente sob ameaça.
O eurodeputado comentou ainda
um apontamento feito pela jornalista Patrícia Matos sobre a decisão do provedor
de Justiça europeu, que considerou que a Comissão Europeia é culpada de má
administração por não ter finalizado a avaliação de impacto de sustentabilidade
antes das conclusões das negociações comerciais da União Europeia com o
Mercosul.
Eurodeputado Francisco Guerreiro (Foto: Divulgação)
Guerreiro
ressaltou também que, além dos efeitos negativos sobre o ecossistema, o descaso
com a agenda ambientalista também é prejudicial para a saúde humana. “As
pessoas vão sofrer ainda mais com problemas que estão ligados ao desmatamento,
à erosão do solo, à escassez de água, à contaminação dos recursos com
microplásticos, com poluentes, com agrotóxicos”, explicou.
Para
combater tamanhos retrocessos, Guerreiro apontou a necessidade de firmar
parcerias para que mais vozes se unam contra a destruição do meio ambiente
orquestrada por governos descompromissados com a preservação ambiental. Segundo
ele, é preciso que ações sejam planejadas para alertar a sociedade sobre essa
realidade.
O
apontamento feito pelo eurodeputado foi reforçado por David Miranda, que disse
que é preciso debater não só a autorização de Bolsonaro para que empresas
explorem gás natural e petróleo em Fernando de Noronha, mas também discorrer
sobre “o projeto do governo Bolsonaro contra o meio ambiente”.
“É muito
importante para todas as pessoas entenderem o que ele e o seu ministro do Meio
Ambiente têm feito. Bolsonaro é o único presidente que foi eleito dizendo que
ia acabar com toda a fiscalização e essa foi a única promessa de governo que
ele cumpriu. Ele falou que não teriam demarcações indígenas, que não teriam
fiscalizações, ele aparelhou os estados, tirou o dinheiro das fiscalizações do
Ibama, de todos esses órgãos que fariam as fiscalizações, tivemos muitas
queimadas na Amazônia.. Tem um projeto que o Bolsonaro está construindo contra
o meio ambiente aqui no Brasil. Teve a maior queimada da história, 30% do
Pantanal foi queimado. Ele retirou profissionais de carreira dos órgãos de
inspeção e colocou militares. Em 2020 tivemos muitos problemas, em 2019 tivemos
um vazamento de óleo em toda costa brasileira praticamente”, relembrou David ao
citar o derramamento criminoso de petróleo que contaminou pelo menos 113 praias
no Nordeste.
Junto da
contaminação do solo e do oceano, que causou a morte de inúmeros animais
marinhos, veio também a omissão do governo federal, criticada durante o debate
pela presidente da ANDA, Silvana Andrade, que lembrou que Bolsonaro exerce uma
política sistemática muito bem pensada de destruição ambiental.
Deputado David Miranda (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)
“Quando
houve o derramamento de petróleo que começou no Nordeste e se espalhou até a
região Sudeste, o governo federal fez absolutamente nada e apenas culpou a
Venezuela, porque aqui tudo se resume a isso. Da mesma maneira foi no Pantanal
com os incêndios. Inclusive, a ANDA entrou naquele momento com uma ação no
Tribunal de Justiça de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e depois no Supremo
Tribunal Federal exigindo que os governos tomassem providências para conter os
incêndios e o que a gente viu naquele momento foi o governo federal gastando
milhões apenas em combustível para fazer uma simulação de guerra contra a
Venezuela. É esse é o tipo de governo que o Brasil tem”, criticou.
Diante do
desmonte ambiental vivido há dois anos pelo Brasil, David considera que a
solução é o impeachament de Bolsonaro. O deputado também chamou atenção para a
necessidade de unir forças com países da América Latina e da União Europeia.
“Países que possam assinar documentos chamando atenção para OEA [Organização
dos Estados Americanos], para a ONU [Organização das Nações Unidas] e para a
OMS [Organização Mundial da Saúde”, pontuou.
David
citou também a relação entre a pandemia de coronavírus e a exploração animal. O
coronavírus surgiu em um mercado de venda de animais vivos e mortos na China e
outros vírus com potencial pandêmico podem surgir em toda parte do mundo,
inclusive no Brasil, onde a exploração animal e o desmatamento são práticas
comuns.
“O que
acontece quando você tem uma queimada no Pantanal e uma determinada espécie
silvestre vai para uma determinada área e tem que conviver com uma outra
espécie silvestre que não convivia antes? A gente vive uma crise de saúde
mundial vinda de animais que vivem em outro ecossistema, que foram expulsos,
que são caçados, que as pessoas comem e que criou essa confusão no mundo
inteiro. As queimadas fazem isso também quando você não tem a visão sobre como
esses animais silvestres vão estar convivendo no meio ambiente”, afirmou.
Ao falar
dos animais silvestres, o deputado aproveitou para denunciar a situação do CETAS
do Ibama em Seropédica, que foi visitado por David recentemente. “O major de
carreira que ele [Bolsonaro] colocou lá não enviou alimento no período de 2020,
acabou com os contratos dos cuidadores daquele local, onde tem mais de 3 mil
animais de diferentes espécies que estão com doenças se multiplicando em
gaiolas pequenas. Ali pode ser uma bomba que pode sair mais alguma coisa”,
comentou o deputado ao se referir à possibilidade de mais um vírus surgir no
centro de tratamento do Ibama por conta da insalubridade do local. No debate,
David defendeu um projeto de restruturação para o Brasil por meio do qual o
Estado tenha orçamento e política pública ambiental.
Silvana Andrade, presidente da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) (Foto: Divulgação)
Silvana
Andrade lembrou ainda que a alta mortandade de animais silvestres no CETAS, que
passaram fome e sofreram com doenças, configura crime ambiental. “O governo tem
prevaricado o tempo inteiro. Quem deveria cumprir a lei, está descumprindo. O
que houve no CETAs do Rio de Janeiro foi um crime, 600 animais morreram de fome
e por falta de cuidados de saúde. Isso está previsto na Lei de Crimes
Ambientais, é um crime, o próprio governo não respeita a lei e por isso
prevarica. E deveria ser criminalizado, condenado, punido por isso”,
argumentou.
A
presidente da ANDA aproveitou o debate para alertar sobre a nocividade da
pecuária, que não só causa sofrimento extremo aos animais, como devasta o meio
ambiente. “O Pantanal está sendo, foi e vai continuar sendo devastado,
assim como a Amazônia, também por conta da pecuária. Hoje, 90% do desmatamento
no Brasil se deve à pecuária. Isso a gente precisa parar de alguma forma. A
ONU, através do Painel de Biodiversidade, divulgou um relatório dizendo: ‘parem
o desmatamento no mundo e evitem o consumo de carne’. Eu digo: não comam carne
porque a gente está se destruindo”, reforçou.
O debate,
que está disponível no Facebook da Agência de Notícias de Direitos Animais, do
eurodeputado Francisco Guerreiro e do deputado David Miranda, foi acompanhado
por internautas que fizeram mais de 100 comentários de comentários nas redes
sociais em apoio à união de ativistas contrários à devastação do meio ambiente.
A
iniciativa também foi vista como essencial pelos propositores dos debates,
Francisco Guerreiro e Silvana Andrade, e pelo convidado David Miranda. De
acordo com Guerreiro, “esta conversa veio mostrar-nos a urgência que temos em
agir”.
Jornalista Patrícia Matos (Foto: Reprodução/Instagram)
“Não
podemos ficar a ver o património de todos ser destruído, sem nada acontecer. A
Europa está muito distante desta realidade e, infelizmente, pouco atenta ao que
se passa do outro lado do Atlântico. São precisas pessoas que lutem pelo
ambiente e pelos animais. Estamos juntos, Silvana e David”, afirmou o
eurodeputado em entrevista à ANDA.
A análise
do eurodeputado acerca do debate foi fortalecida pelo posicionamento de David
Miranda, que disse à ANDA que o encontro foi muito importante e que é preciso
avançar “no sentido de construir um documento e constituir um grupo de atuação
Brasil, Comunidade Europeia e Estados Unidos para denunciarmos as medidas do
governo que são prejudiciais à humanidade e ao meio ambiente. Assim, poderemos
buscar soluções juntos internacionalmente”.
A
presidente da ANDA também considerou o debate produtivo e pontuou a necessidade
de “colocar em pauta assuntos de extrema importância e repercussão
internacional que estão acontecendo no Brasil”. “Precisamos de união para que a
gente possa combater esse processo sistemático de destruição ambiental
orquestrado pelo governo Bolsonaro que vai ter, a médio prazo, consequências
graves para a economia do Brasil”, concluiu.
Fonte: anda.jor.br




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