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quinta-feira, 25 de março de 2021

Cães recém-nascidos são abandonados para morrer presos em travesseiro costurado

 

Mariana Dandara | Redação ANDA


Foto: Daniele Eugenio/Arquivo Pessoal

Quatro filhotes de cachorro recém-nascidos foram abandonados para morrer presos dentro de um travesseiro costurado em São Vicente, no litoral de São Paulo. Jogados em uma lixeira, os cães foram salvos por coletores de lixo.

A ação dos coletores foi primordial para garantir a sobrevivência dos filhotes, que poderiam ter morrido sufocados ou prensados no compactador de lixo do caminhão caso os profissionais pegassem o travesseiro sem identificar que havia animais dentro dele.

Os coletores abriram o travesseiro após perceberem que algo se mexia em seu interior. Os recém-nascidos foram abandonados em uma lixeira na Rua Ofélia Chaves de Meireles, no bairro Jóquei Clube.

O caminhão de lixo passava pelo local na manhã da última quarta-feira (24), por volta das 7h30, quando os coletores resgataram os filhotes.

“A gente pegou o travesseiro, e eu ouvi um chorinho e algo se mexendo. Abrimos e encontramos um filhote, e foram aparecendo os outros depois. Eles estavam com cordão umbilical ainda, a orelhinha fechada, olhos também. Tinham acabado de nascer”, contou ao G1 o coletor Douglas Carvalho Pereira, de 25 anos.

Para o coletor Emanuel Santos de Souza, de 31 anos, que também participou do resgate, o ato de violência cometido contra os filhotes é incompreensível.

“Não sei para que fazer isso, se não quer, leva para doação. Tem um monte de gente que quer, não precisa fazer uma coisa dessas, deixar os animais no lixo, não fazem mal para ninguém”, desabafou.

Após o resgate, uma moradora do bairro decidiu acolher os filhotes. A confeiteira Daniele Eugênio se comoveu com a situação dos cães e se propôs a oferecer lar temporário para eles. A intenção dela é encontrar novos lares para os animais.

“Eles tinham acabado de pegar o lixo daqui, quando, na esquina, encontraram os cachorrinhos e nos chamaram. Nós pegamos os quatro filhotinhos e ligamos para um veterinário para saber como alimentar eles. Dois já conseguimos doar. Infelizmente, não temos como ficar com eles, porque não temos quintal”, contou.

Encarregado da limpeza urbana de São Vicente, Jurandir Xavier Filho explicou que a empresa Terracom, responsável pelo serviço, treina seus funcionários para que eles estejam preparados para situações como essa. O protocolo, segundo Filho, determina que os coletores avisem seus supervisores para que a prefeitura seja acionada e o Centro de Controle de Zoonoses envie uma equipe de resgate ao local. No caso dos filhotes de gato, não foi necessário seguir o protocolo porque os coletores encontraram um lar temporário para os recém-nascidos.


Foto: Daniele Eugenio/Arquivo Pessoal

Por serem muito frágeis e necessitarem dos cuidados da mãe, filhotes que acabaram de nascer precisam de atenção redobrada quando são encontrados sozinhos. É o que explicou a médica veterinária Tatiana Ariki, que lembrou que é primordial manter os órfãos aquecidos.

“O ideal é forrar uma caixinha, com cobertor, jornal, manter eles bem aquecidos. Evitar mantê-los em ambientes muitos claros, porque os olhos estão bem sensíveis e demoram duas semanas para abrirem. Não deixá-los em piso frio, em hipótese alguma. Isso ajuda bastante o recém-nascido”, explicou.

Se não for possível encontrar uma chamada “mãe de leite” – isso é, outra gata que tenha parido recentemente e que aceite os filhotes órfãos -, o cuidador dos animais precisa amamentá-los, com uma seringa ou mamadeira específica, a cada duas horas. A dose, segundo a veterinária, depende do tamanho e da idade do filhote.

O leite a ser oferecido, no entanto, deve ser produzido especificamente para a espécie. O produto é vendido em pet shops e pode ser oferecido aos filhotes em temperatura morna.

Ainda é necessário passar algodão molhado duas vezes ao dia nas partes íntimas dos recém-nascidos para estimulá-los a urinar e defecar.

Os cuidados que um animal recém-nascido demanda são muitos, o que torna árdua a missão de protegê-los. As recompensas, no entanto, são imensamente maiores. Já que não há dificuldade que supere a alegria de salvar uma vida.

Fonte: anda.jor.br



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