Mariana
Dandara | Redação ANDA
Foto: Daniele Eugenio/Arquivo Pessoal
Quatro
filhotes de cachorro recém-nascidos foram abandonados para morrer presos dentro
de um travesseiro costurado em São Vicente, no litoral de São Paulo. Jogados em
uma lixeira, os cães foram salvos por coletores de lixo.
A ação
dos coletores foi primordial para garantir a sobrevivência dos filhotes, que
poderiam ter morrido sufocados ou prensados no compactador de lixo do caminhão
caso os profissionais pegassem o travesseiro sem identificar que havia animais
dentro dele.
Os
coletores abriram o travesseiro após perceberem que algo se mexia em seu
interior. Os recém-nascidos foram abandonados em uma lixeira na Rua Ofélia
Chaves de Meireles, no bairro Jóquei Clube.
O
caminhão de lixo passava pelo local na manhã da última quarta-feira (24), por
volta das 7h30, quando os coletores resgataram os filhotes.
“A gente
pegou o travesseiro, e eu ouvi um chorinho e algo se mexendo. Abrimos e
encontramos um filhote, e foram aparecendo os outros depois. Eles estavam com
cordão umbilical ainda, a orelhinha fechada, olhos também. Tinham acabado de
nascer”, contou ao G1 o coletor Douglas Carvalho Pereira, de 25 anos.
Para o
coletor Emanuel Santos de Souza, de 31 anos, que também participou do resgate,
o ato de violência cometido contra os filhotes é incompreensível.
“Não sei
para que fazer isso, se não quer, leva para doação. Tem um monte de gente que
quer, não precisa fazer uma coisa dessas, deixar os animais no lixo, não fazem
mal para ninguém”, desabafou.
Após o
resgate, uma moradora do bairro decidiu acolher os filhotes. A confeiteira
Daniele Eugênio se comoveu com a situação dos cães e se propôs a oferecer lar
temporário para eles. A intenção dela é encontrar novos lares para os animais.
“Eles
tinham acabado de pegar o lixo daqui, quando, na esquina, encontraram os
cachorrinhos e nos chamaram. Nós pegamos os quatro filhotinhos e ligamos para
um veterinário para saber como alimentar eles. Dois já conseguimos doar.
Infelizmente, não temos como ficar com eles, porque não temos quintal”, contou.
Encarregado
da limpeza urbana de São Vicente, Jurandir Xavier Filho explicou que a empresa
Terracom, responsável pelo serviço, treina seus funcionários para que eles
estejam preparados para situações como essa. O protocolo, segundo Filho,
determina que os coletores avisem seus supervisores para que a prefeitura seja
acionada e o Centro de Controle de Zoonoses envie uma equipe de resgate ao
local. No caso dos filhotes de gato, não foi necessário seguir o protocolo
porque os coletores encontraram um lar temporário para os recém-nascidos.
Foto: Daniele Eugenio/Arquivo Pessoal
Por serem
muito frágeis e necessitarem dos cuidados da mãe, filhotes que acabaram de
nascer precisam de atenção redobrada quando são encontrados sozinhos. É o que
explicou a médica veterinária Tatiana Ariki, que lembrou que é primordial
manter os órfãos aquecidos.
“O ideal
é forrar uma caixinha, com cobertor, jornal, manter eles bem aquecidos. Evitar
mantê-los em ambientes muitos claros, porque os olhos estão bem sensíveis e
demoram duas semanas para abrirem. Não deixá-los em piso frio, em hipótese
alguma. Isso ajuda bastante o recém-nascido”, explicou.
Se não
for possível encontrar uma chamada “mãe de leite” – isso é, outra gata que
tenha parido recentemente e que aceite os filhotes órfãos -, o cuidador dos
animais precisa amamentá-los, com uma seringa ou mamadeira específica, a cada
duas horas. A dose, segundo a veterinária, depende do tamanho e da idade do
filhote.
O leite a
ser oferecido, no entanto, deve ser produzido especificamente para a espécie. O
produto é vendido em pet shops e pode ser oferecido aos filhotes em temperatura
morna.
Ainda é
necessário passar algodão molhado duas vezes ao dia nas partes íntimas dos
recém-nascidos para estimulá-los a urinar e defecar.
Os
cuidados que um animal recém-nascido demanda são muitos, o que torna árdua a
missão de protegê-los. As recompensas, no entanto, são imensamente maiores. Já
que não há dificuldade que supere a alegria de salvar uma vida.
Fonte: anda.jor.br



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