A Alpa (Associação Limeirense de Proteção aos Animais) e a
vereadora Tatiane Lopes, que também realiza trabalhos em defesa dos animais,
foram acionadas na última semana, para acompanhar casos de corpos de animais,
que teriam sido vítimas de rituais de magia na cidade. Ambos foram encontrados mortos, com sinais de crueldade.
A Polícia Civil foi acionada em um dos casos, mas nada poderá fazer, pois o
corpo do animal não passou por exame de necropsia, que poderia constatar
oficialmente que tipo de violência sofreu o animal.
O primeiro caso envolve um gato preto, encontrado sem a cabeça e
com o peito aberto, em um condomínio de apartamentos, na região do Parque Novo
Mundo. Do felino, foi retirada parte das vísceras e o coração. As vísceras
foram deixadas no local, mas o coração e a cabeça dele não foram encontrados
pela moradora que achou o corpo, na manhã do último dia 18. O animal era
comunitário (quando várias pessoas cuidam) do condomínio. Tatiane acredita em
ritual de magia, mas disse não poder descartar possibilidade de maus-tratos.
Uma condômina registrou o caso na delegacia da área, mas enterrou o animal,
antes de exames necessários para a investigação policial.
O segundo caso foi registrado na manhã da sexta-feira (26). Uma
ovelha foi encontrada morta na “Estrada do Zé do Pote”, no bairro dos Loiolas,
zona rural de Limeira. Ela estava com as quatro patas amarradas juntas e com a
parte íntima violada, segundo Cassiana Fagoti, da Alpa. Pela características da
amarração das patas – feita com uma fita roxa – não foi descartada a
possibilidade de sacrifício do animal para rituais religiosos. Quando chegou ao
local onde o corpo foi encontrado, a representante da Alpa ficou sabendo que o
corpo já havia sido enterrado por um homem, morador da região.
ABANDONO
Segundo Cassiana Fagoti, os casos de abandono de animais
aumentou significativamente nos últimos meses, na cidade. A crise econômica,
causada pelo avanço da covid-19, pode ser uma das explicações. Os casos de
maus-tratos também se sucedem. Porém, de acordo com a responsável pela Alpa, o
Departamento de Proteção e Bem Estar Animal (DPBEA), vinculado à Secretaria do
Meio Ambiente, está sem comando há algumas semanas, após a ex-diretora,
Cristiane Masutti, deixar o cargo. Com isso, as denúncias tem se acumulado no
departamento, que também estaria com o seu trabalho comprometido por causa da
pandemia.
FOTO: Divulgação Tatiane Lopes
Fonte: E.Limeira
Nota do Olhar Animal: Maus-tratos
são maus-tratos, independentemente de ocorrerem em rituais, abate para consumo
ou qualquer outra forma de exploração animal. O sacrifício ritualístico de animais
ocorre em diversas religiões. E de todas elas deve ser banido, inclusive os
sacrifícios ocorridos nas celebrações cristãs, como os que acontecem no Natal e
Páscoa. O que é justo é que animal algum tenha o destino que lhe é dado em
práticas religiosas, sem exceção. Porém, quem explora os animais para rituais
se esconde atrás de argumentos como o da isonomia em relação ao tratamento
dispensado a outros grupos religiosos. Escondem-se também atrás da “liberdade
religiosa”, preceito constitucional que jamais se aplicaria se as vítimas
fossem humanas.
Infelizmente, parte do ativismo animalista
“comprou” esse discurso, mas não o sustenta quando o tema são outras áreas da
exploração animal. Por exemplo, ativistas jamais se posicionaram contra a
aprovação de leis estaduais de proibição ao uso de animais em circos, ainda que
em outros estados a atividade continuasse liberada. Jamais alegaram algum tipo
de discriminação contra os povos de Alagoas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,
Paraíba e Pernambuco, pelo fato de nestes estados terem sido aprovadas leis que
proíbem animais em circo, mesmo que baianos, amazonenses, goianos, potiguares,
sul-matogrossenses e outros não vivenciem a mesma restrição. Por conta desta
falta de simultaneidade, a proibição ao uso de animais em circos não deveria
ter ocorrido em 12 estados? Esta abrangência parcial e circunstancial
representa alguma forma de discriminação? Fôssemos considerar este raciocínio,
não seria justo querer que uma outra pessoa se torne vegana sendo que a maioria
dos humanos não o é e não se tornará vegana simultaneamente. O ativismo
sustentar que, se a proibição não alcançar todas as religiões, a interrupção
NÃO deve ocorrer, é tudo que quem explora quer ouvir de quem, a princípio,
deveria defender os interesses dos animais. Quando estes protetores tratam de
rituais, tiram o foco dos interesses dos animais e passam o foco para os
interesses humanos. Interesses egoístas, diga-se de passagem, pois os rituais
se destinam à obtenção de benesses para quem os pratica, às custas do
sofrimento e morte dos bichos. Por isso, é lamentável ver ativistas defendendo
que o fim das mortes em rituais de religiões de matriz africana só deve ocorrer
quando acabarem nas demais religiões. Desconhecemos que estes ativistas tenham
lançado alguma campanha ampla pelo fim do uso de animais em rituais para todas
as religiões nas vezes em que o tema veio à tona (aprovação de lei sobre o
assunto no RS ou por ocasião do julgamento da questão pelo STF, por exemplo).
Estes ativistas se restringem a proteger os rituais destas religiões e se
omitem sobre a defesa de suas vítimas. Não querem ficar “mal na fita” e serem
acusados de racismo, etnocentrismo e outros “ismos”. Assim, optam por um “ismo”
socialmente mais aceito: o especismo. E, defensivamente, imputam os outros
“ismos” a quem se mantêm firme na defesa incondicional dos animais. Não há
dúvidas de que esta é uma posição vergonhosamente especista e que colabora para
o prolongamento do sofrimento e a morte impostos aos animais.


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