Por
Aryana Araújo
Foto: Aleksandar Plavevski / EPA-EFE
A chefe de biodiversidade da Organização das
Nações Unidas (ONU), Elizabeth Maruma Mrema, solicitou uma proibição
global dos mercados de vida selvagem, com o intuito de evitar futuras pandemias
que possam assolar o mundo. De acordo com ela, os países devem agir para evitar
futuras pandemias e proibir os chamados “mercados úmidos”, que vendem animais
vivos e mortos para consumo humano.
Em uma mensagem para o portal de notícias The
Guardian, Elizabeth utilizou como exemplo a crise causada pelo surto de
Ebola na África e vírus Nipah na Ásia. Segundo ela, existem claras ligações
entre a destruição da natureza e as novas doenças humanas: “A mensagem
que estamos recebendo é que, se não cuidarmos da natureza, ela cuidará de nós.
Seria bom proibir os mercados de animais vivos, como a China fez e alguns
países fizeram. Mas também devemos lembrar que você tem comunidades,
particularmente de áreas rurais de baixa renda, particularmente na África, que
dependem de animais selvagens para sustentar os meios de subsistência de
milhões de pessoas. Portanto, a menos que tenhamos alternativas para essas
comunidades, pode haver o risco de abrir o comércio ilegal de animais
selvagens, que atualmente já está nos levando à beira da extinção de algumas
espécies. Precisamos ver como equilibramos isso e realmente fechamos o buraco
do comércio ilegal no futuro”, explicou.
Após a pandemia causada pelo coronavírus, a China proibiu temporariamente os mercados de vida selvagem no
país, no entanto, vários cientistas têm pressionado o governo de Pequim a
tornar a proibição permanente, já que esses comércios além de não possuírem uma
condição de higiene adequada, também contribuem para a extinção de diversas
espécies ameaçadas.
“Concordo que deve haver uma proibição global de
mercados úmidos, o que ajudará muito na conservação da vida selvagem e na
proteção de nós mesmos contra contatos impróprios com a vida selvagem. Mais de
70% das doenças humanas são de animais selvagens e muitas espécies estão
ameaçadas de extinção por comê-las”, explica o secretário-geral da Fundação
para a Conservação da Biodiversidade e o Desenvolvimento Verde da China,
Jinfeng Zhou.
Apesar de tudo, Elizabeth se mostrou otimista em
relação às atitudes que o mundo irá tomar de agora em diante, após o surto de
Covid-19, levando as consequências da destruição da natureza mais a sério:
“Preservar ecossistemas intactos e biodiversidade nos ajudará a reduzir a
prevalência de algumas dessas doenças. Portanto, a maneira como cultivamos,
como usamos os solos, como protegemos os ecossistemas costeiros e como tratamos
nossas florestas destruirá o futuro ou nos ajudará a viver mais tempo”,
concluí.
Fonte: anda.jor.br

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