Os participantes do Sínodo da Amazônia, assembleia
convocada pelo papa Francisco que está sendo realizada no Vaticano, estão
debatendo a possibilidade de criar o pecado ecológico.
De acordo com um relatório divulgado pelo Vaticano,
no segundo dia da assembleia, em 8 de outubro, um dos sacerdotes presentes
disse ao papa que é necessário aprofundar a discussão sobre os pecados
ecológicos.
Foto: HENRY ROMERO / Reuters/19-1-2018
“Foi prenunciada uma conversão ecológica que faça
perceber a gravidade do pecado contra o meio ambiente como um pecado contra
Deus, contra o próximo e as futuras gerações”, diz trecho do relatório. O
assunto deve constar no documento final que será apresentado para voto em 25 de
outubro. As informações são da Folha de S. Paulo.
Um dos participantes da assembleia afirmou que o
pecado ecológico tem ganhado forçada nas discussões internas da igreja e compõe
o campo da teologia da criação sob a perspectiva de que Deus criou o mundo e o
deu aos humanos para que cuidassem dele.
“A conversão ecológica já está bem trabalhada,
falta mesmo formular concretamente como isso será na prática da vida do
sujeito”, disse.
A formulação do Sínodo da Amazônia, que será usado
como meio de consulta do papa para indicações ao clero e aos fiéis, está sendo
feita por 258 pessoas, entre arcebispos, bispos, cardeais e especialistas,
incluindo leigos.
Dom Pedro Brito Guimarães, arcebispo de Palmas
(TO), afirmou no dia 11 de outubro que “a defesa do meio ambiente não é
uma questão do Partido Verde, de uma ONG ou de alguém que se encantou. É uma
questão vital. Ou nós cuidamos da nossa natureza ou estamos comprometendo a
condição da nossa vida, estamos fazendo uma coisa séria: pecando contra o
criador”.
“É preciso ter consciência, formação ecológica,
desde a criança na catequese, desde a escola. As pessoas vão aprendendo a
respeitar e a crescer na sua fé sabendo que quanto mais nós contribuirmos para
um mundo melhor, melhor para todo mundo”, completou o arcebispo, que defende
que os pecados ecológicos sejam incorporados ao sacramento da confissão e da
penitência.
A versão de 2018 do instrumento de trabalho no qual
as assembleias do sínodo se baseiam, denominado “instrumentum laboris”, aborda,
no capítulo nove, a “conversão ecológica”, tema também presente na encíclica
“Laudato Si”, que ficou conhecida como encíclica verde e foi divulgada pelo
papa em 2015.
“Segundo o papa Francisco, a conversão ecológica
desperta em nós aquilo que a gente não tinha consciência ainda: que as nossas
ações têm impacto socioambiental. E se traduz inclusive nos gestos relativos ao
consumo, ao nosso cotidiano, na economia de água e energia”, afirmou Afonso
Murad, professor de teologia da Faculdade Jesuíta, especializado em
ecoteologia.
Sugestões de como a igreja pode avançar na
discussão ambiental foram colocadas no instrumento de trabalho de 2018. Dentre
elas, “identificar as novas ideologias que justificam o ecocídio amazônico,
denunciar as estruturas de pecado que são atuadas no território amazônico e
indicar as razões com as quais justificamos nossa participação nas estruturas
de pecado”.
Durante o sínodo, os participantes tem analisado a
melhor forma de aplicar o tema. “A questão mais importante não é ficar
listando pecados ecológicos, mas perceber que somos responsáveis para a
continuidade da vida de nossa casa comum. Isso diz respeito não somente à
Amazônia, mas a todo o planeta”, explicou Murad.
Na opinião do professor Johannes Grohe, do
departamento de História da Igreja da Pontificia Università della Santa Croce,
em Roma, a teologia da criação pode não bastar para estabelecer os novos
pecados.
“O conceito de ‘pecado ecológico’ deve ser tomado
com cautela porque o modo certo de agir também depende dos resultados de
pesquisas científicas. Não convém que a igreja fixe tais pecados sem um
consenso claro sobre as causas da poluição ambiental e o aquecimento
climático”, disse.
Incomodado com as discussões do sínodo a respeito
da Amazônia, o governo brasileiro tem feito críticas à assembleia, assim como a
ala conservadora da igreja.
Fonte: anda.jor.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário