No
Brasil o Dia das Abelhas é comemorado em 3 de outubro – Dia Mundial das Abelhas
é em 20 de maio – mas não há motivo para comemorações. As abelhas estão sumindo
em todas as partes do mundo por ação de pesticidas e agrotóxicos nas
plantações, perda de habitat e mudanças climáticas como o aquecimento global.
Mas o
problema vai muito além de seu desaparecimento. O papel polinizador das abelhas
é crucial para a produção de alimentos em quantidade e, principalmente, com
qualidade, e não só para o homem, mas para diversos animais.
A
abelha protagoniza toda uma cadeia alimentar. Não é a única polinizadora, pois,
besouros, borboletas, pássaros e morcegos também realizam essa tarefa, mas a
abelha é uma das principais agentes de polinização.
“As
abelhas são amplamente reconhecidas por sua importante contribuição para a
segurança alimentar e nutricional, agricultura sustentável, saúde ambiental e
dos ecossistemas, além do enriquecimento da biodiversidade.
No
entanto, e por todo o mundo, cada vez mais espécies de polinizadores estão
desaparecendo devido a vários fatores, a maioria de origem humana”, relata o
site da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura
e Alimentação.
Os
dados são assustadores. Segundo a instituição, quase 35% dos polinizadores
invertebrados, principalmente abelhas e borboletas, e cerca de 17% dos
polinizadores vertebrados, como os morcegos, enfrentam extinção.
Mas
como esse sumiço das abelhas afeta a alimentação humana? Mais de 75% das
culturas alimentares do mundo dependem, em algum momento, da polinização. Isso
porque as abelhas ajudam as plantas a se reproduzirem.
Nem
todas as culturas alimentares precisam de polinização. Arroz, trigo e batata,
por exemplo, não dependem do trabalho de abelhas. “No entanto, muitos dos
alimentos nutritivos e ricos em micronutrientes como frutas, vários vegetais,
sementes, nozes e óleos, desapareceriam sem os polinizadores. Um mundo sem
polinizadores é um mundo sem alguns dos alimentos que tanto amamos como
morangos, maçãs, mirtilos, cerejas, amêndoas, cacau e café”, diz o alerta no
site da FAO.
Por
isso, um plano de ação da entidade para o período entre 2018 e 2030 visa
promover ações coordenadas em todo o mundo para proteger diversas espécies de
abelhas. São iniciativas que apoiam uma agricultura mais diversificada e menos
dependente de produtos químicos e tóxicos. Proteger as abelhas é proteger toda
a vida do planeta. A FAO criou um vídeo para simular o que aconteceria com a
Terra caso as abelhas sumissem por completo.
Amizade
entre uma mulher e uma abelha
O caso ocorrido na Escócia foi
amplamente divulgado em 2018. Fiona Presly notou no jardim de sua
casa a presença de uma abelha sem asas e que, por conta disso, morreria em
pouco tempo já que as abelhas necessitam voar para colher alimento em muitas
flores e plantas. Ela então colocou a abelha num lugar seguro e passou a
alimentá-la dia após dia com água açucarada.
O
esforço em salvar a abelha foi tanto que Fiona até criou um jardim com flores
diversas para que a abelha pudesse se fortalecer. Ela cobriu esse recanto com
uma manta para que outras abelhas não acabassem com a “dispensa nutritiva”. E o
mais impressionante é que a abelha parecia reconhecer e saudar Fiona cada vez
que sua salvadora adentrava no jardim.
A
abelha que deveria durar por volta de três meses acabou vivendo por cinco sob
os cuidados da “amiga” humana.
*Fátima
ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal
Fotos:Chezbeate/Pixabay
Fonte: anda.jor.br



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