Fotos: Karoo Donkey Sanctuary
As
temperaturas congelantes estão causando desconforto e sofrimento à população de
burros da Western Cape na África do Sul – que além de tudo ainda enfrentam
ameaças muito mais severas do que apenas o clima frio.
O
Karoo Donkey Sanctuary fez apelos pedindo ajuda para seus mais de 200 burros
que precisam de abrigo, água e comida durante o inverno. O fundador do
santuário Jonno Sherwin disse que o maior desafio que o santuário enfrenta é
manter um fluxo constante de financiamento.
“Os
burros não se dão bem no frio, seu pelo e pele são absorventes e grossos, então
quando eles se molham e está frio eles são suscetíveis à hipotermia. Bois e
vacas ficam molhados e eles ficam bem, burros nem tanto ”.
Ele
disse que a seca em curso na região piorou as condições para as criaturas
domesticadas.
“Pastar
é o nosso ponto crítico. O santuário está passando por uma grande seca no
momento e nosso poço está bombeando a capacidade de 15% e estamos consumindo
por 32 mil litros por dia, então só podemos bombear água para beber e não
podemos irrigar lugar nenhum.
“Nós
passamos por 80 fardos de feno que custam 6000 south african rands (cerca de
400 dólares) por dia. Sabemos que não é sustentável, mas não somos um abrigo
que mata animais e não temos uma política de eutanásia”.
O
santuário fica a 2 km da pequena cidade de Karoo, em Prince Albert, onde 10
trabalhadores em tempo integral também cuidam de 36 cavalos na propriedade.
O
santuário recebe uma doação mensal da rede sem fins lucrativos americana
Network for Animals e outras pequenas doações, mas a maior parte do
financiamento vem diretamente de Sherwin, que dirige um negócio de móveis
online.
De
acordo com um estudo da Universidade de Cambridge, estima-se que existam 44
milhões de burros no mundo e Sherwin disse que a população global está sob
imensa ameaça dos mercados asiáticos.
“Há um
genocídio global de burros acontecendo. Há uma corrida por peles na China, que
estão sendo usadas na medicina tradicional”.
Sherwin
disse que cerca de 10 milhões são mortos todos os anos e enviados para os
mercados asiáticos para serem usados em todos os tipos de subprodutos, e que a
maioria dos burros da África do Sul está sendo abusada e roubada das áreas
rurais.
Embora
infelizmente não seja ilegal matar os burros, Sherwin disse que já que isso vai
ser feito, que pelo menos seja feito de maneira ética e humana, seguindo a Lei
de Proteção aos Animais e atendendo às diretrizes de segurança.
“Eles
são roubados dos currais e, em seguida, recebem um golpe na cabeça e arrancam
sua pele enquanto ainda estão vivos, depois seus corpos são jogados no rio. Em
função de problemas de antraz a carne geralmente não é usada e apodrece.
Estima-se
que uma vez uma pele de burro pode chegar a custar até R7500 (cerca de 520
dólares) na Ásia, sendo que um contêiner de 40 pés capaz de transportar cerca
de 5000 peles valendo mais de R37 milhões (cerca de 2 milhões 600 mil dólares.
Os chifres de rinoceronte chegam a R850000 (em torno de 59 mil dólares) o quilo
no mercado asiático.
De
acordo com a Human Society International, uma restrição regulatória permite que
até 7300 peles (e couro) seja exportada da África do Sul a cada ano. Mas não há
legislação que bloqueie a exportação de peles de burro.
Sherwin
disse que gostaria que o governo sul-africano instituísse uma proibição total
da exportação de peles.
A
Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra os Animais disse que as
peles de burro contêm gelatina, que é usada para fins medicinais com
propriedades anti-envelhecimento, para tratar a insônia e melhorar a circulação
sanguínea.
Sherwin
disse que sua maior iniciativa no momento tem sido encontrar novos lares para
os burros, mas há muitos obstáculos no caminho.
Os
burros não podem ser realojados em qualquer lugar dentro da área da “African
Horse Sickness” (doença do cavalo africano, na tradução livre), que cobre a
maior área da Cidade do Cabo, Stellenbosch e Paarl e a costa oeste. Isso deixa
apenas a Garden Route e Gauteng como opções viáveis como novos lares para os
animais.
O
Karoo Donkey Sanctuary foi iniciado por Sherwin em 2014 com apenas quatro
burros. Logo cresceu para mais de 300, tornando-se o maior santuário de
jumentos na África. “Eu fui chamado para investigar um leilão em Hartswater, no
Norte do Cabo com 500 burros e 200 cavalos destinados a morte por causa da
seca.”
Fonte: anda.jor.br



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