Fotos -Pixabay
Para o
presidente Jair Bolsonaro, as provas de laço são expressões esportivo-culturais
pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro de natureza imaterial. E essa
defesa foi reforçada esta semana no Diário Oficial da União com a publicação da
Lei 13.873/2019, sancionada por
Bolsonaro em apoio à proposta que altera a Lei 13.364, de 2016, que
agora garante tanto a regulamentação do laço quanto da vaquejada e do rodeio.
No
entanto, até aí, nenhuma novidade, considerando que o presidente, que tinha o
poder de vetá-la, disse que qualquer oposição a essas práticas é vista por ele
como reclames do “politicamente correto”. Segundo matéria da lei que entrou em
vigor no último dia 17, essas atividades estão “intrinsecamente ligadas à vida,
à identidade, à ação e à memória de grupos formadores da sociedade brasileira”.
No entanto, tal afirmação é baseada em quais critérios? Qual é o percentual da
população brasileira que apoia tais práticas para que sejam urgentemente
reconhecidas como tal?
Como é
possível classificar o laço como expressão esportivo-cultural se o animal
submetido a tal prática não tem seus interesses considerados? Ele parece gostar
de ter seu pescoço puxado violentamente? E como algo pode ser visto como
esporte sem o aval da parte mais afetada? Tudo indica que o objetivo da nova lei
é fazer frente à oposição que cresce no país contra provas de laço, rodeios e
vaquejadas, seguindo pelo mesmo caminho do Projeto de Lei (PL) 13.365/2016, que
elevou vaquejadas e rodeios à condição de manifestação cultural nacional e
patrimônio cultural imaterial.
E isso
é uma clara forma de blindar legalmente a oposição dos defensores dos animais,
enviando uma mensagem de que os apoiadores dessas práticas têm grande
influência política e econômica e estarão sempre dispostos a “medir forças”
para tentar fazer quem se opõe a esse tipo de exploração crer que é uma luta
inglória.
E
infelizmente, enquanto houver grande conivência, pode ser que estejam certos.
Vale lembrar também que no dia 8 de julho, apenas 34 deputados votaram contra o
texto-base do projeto de lei que garantiu espaço para aprovação e sancionamento
da lei que deixa os animais em situação ainda mais desprivilegiada em relação
ao seu uso como meio de entretenimento. Por outro lado, 402 votaram a favor.
Fonte: anda.jor.br ( David Arioch )


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