Uma
força-tarefa composta por órgãos de bem-estar animal e a Vigilância Sanitária
foi montada na manhã de sexta-feira (20) para fiscalizar a situação dos animais
que continuam no abrigo do grupo Pata Voluntária, no bairro do Trapiche, em
Maceió, AL. Os fiscais, porém, foram impedidos de entrar. Duas diretoras e a
presidente do grupo chegaram a ser presas em julho suspeitas de forjar um roubo
para arrecadar dinheiro de voluntários.
A
Comissão de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal da Ordem dos Advogados do Brasil
seccional Alagoas (OAB-AL) tem recebido relatos de que os animais não estão
sendo mantidos de maneira adequada.
“A
denúncia é de que os animais estão em situação de penúria, eles continuam
informando em rede social que os animais estão precisando de ração,
medicamento, tratamentos que foram interrompidos. No entanto, ninguém está
abrindo a porta para que tanto o Conselho de Medicina Veterinária quanto a
Vigilância Sanitária, que detém o poder de polícia para fazer essa averiguação,
possa entrar e verificar”, afirmou a presidente da Comissão da OAB, Rosana
Jambo.
Quando
Maria Gisele do Nascimento Oliveira, Nayane Petrúcia Silva Barros e Amropali
Pedrosa Mondal foram presas, as atividades do grupo passaram a ser realizadas
por outros voluntários, já que centenas de cães e gatos ainda permaneciam no
abrigo.
Mas segundo
o advogado que representa Amropali, conhecida como Pali Mondal, depois que elas
ganharam o direito de responder ao processo em liberdade, Pali voltou a
administrar o abrigo e atualmente o mantém com recursos próprios.
“Continuam sendo elas [a tocar o abrigo], mas os
valores arrecadados estão bloqueados. Todas as despesas estão sendo pagas pela
Pali e pelos outros membros do Pata Voluntária. Ainda continua funcionando, tem
em torno de 400 animais, ela [Pali] que está à frente pessoalmente dessas
despesas, mas ela teve que reduzir vários custos, era um custo aproximado de R$
140 mil por mês”, explicou ao G1 o advogado Marcondes Costa, que representa a
presidente do Pata Voluntária.
Em
contato por telefone com a reportagem, o advogado Marcondes Costa esclareceu
que as proprietárias do grupo tinham autorizado somente a Vigilância Sanitária
a entrar e que ele estava a caminho do local para abrir o abrigo para a
vistoria.
Mas a
informação foi rebatida pela presidente da comissão da OAB, que disse que todos
que foram ao local para fazer a fiscalização foram impedidos, inclusive os
integrantes da Vigilância Sanitária.
“Nós
ficamos lá praticamente uma hora e meia. quem chegou foi uma pessoa que não
quis se identificar, causou tumulto, desrespeitou um membro da Comissão, mas
não se identificou, não sabemos se trata-se de alguém por parte do abrigo ou do
advogado”, relatou Rosana Jambo.
A OAB
informou ainda que fez registros do que encontrou do lado de fora do abrigo e
que vai levar o caso à Polícia Civil para que sejam investigados os possíveis
maus-tratos aos animais.
“Forte
odor, todos os vizinhos reclamando do mau cheiro. Odor de lixo, fezes, larva,
vermes, tudo isso à vista e filmado”, disse Rosana.
Em
entrevista à TV Gazeta o advogado que representa
o Pata Voluntária explicou que só havia funcionários no local quando a
fiscalização chegou. “Por desinformação, por não saberem como proceder, eles
acabaram não permitindo a entrada, mas a Vigilância Sanitária pode entrar aqui
a qualquer momento”, disse Costa.
A
Vigilância Sanitária informou que vai autuar o abrigo por ter impedido a
entrada da fiscalização.
Processo na Justiça
As duas
diretoras e a presidente do Pata Voluntária respondem ao processo em liberdade.
A Polícia Civil disse, à época das prisões, que elas poderiam ser
responsabilizadas por estelionato, associação criminosa, comunicação falsa de
crime e por crimes ambientais.
“O processo penal vai demonstrar
que houve um grande equívoco e que as prisões foram um teatro com atores
profissionais que conduziram a operação e por isso que deu todo esse
estardalhaço”, disse o advogado Marcondes Costa.
— Foto:
OAB-AL
Por Cau
Rodrigues, G1 AL
Fonte: G1



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