Foto: @BAHAMUT022/Twitter
Todos
os anos, são realizados cerca de 450 eventos nas cidades, vilas e aldeias
catalãs que envolvem touros sendo explorados e muitas vezes mortos. Em 2010, o
governo catalão aprovou uma legislação que proibia touradas na região nordeste
da Espanha. No entanto, a mesma lei protegeu uma série de eventos relacionados
a touros celebrados em festas locais na Catalunha, incluindo corridas de touros
conhecidas como “correbous”.
Mas um
incidente em Girona no domingo, quando um touro conseguiu entrar no meio da
multidão em uma praça de touros móvel, ferindo 19 pessoas, pode fazer com que o
conselho local a repense esses eventos.
O
prefeito de Vidreres, a vila onde ocorreu o incidente, Jordi Camps, insistiu
que as festas cumprissem os regulamentos atuais, apesar do animal poder pular a
cerca e atacar vários espectadores. Uma mulher ficou gravemente ferida e
precisou fazer uma cirurgia de emergência no domingo à noite. O touro,
além de abusado e perseguido, foi morto a tiros por policiais locais.
O
conselho de Vidreres emitiu uma declaração expressando pesar pelo que aconteceu
e se reuniu com a empresa encarregada de organizar o evento para analisar o
incidente. O conselho acrescentou que, nos próximos dias, decidirá se o evento
será proibido no futuro ou se as condições para sua celebração serão
reforçadas.
A
força policial regional, o Mossos d’Esquadra, abriu uma investigação para
determinar se houve negligência por parte dos organizadores. O departamento
regional do Interior confirmou que a documentação para autorizar as atividades
envolvendo touros havia sido processada corretamente e que não havia motivo
para rejeitar o pedido, de acordo com o El País.
A
decisão de proteger festas como o “correbous” na Catalunha foi tomada por
deputados regionais dos partidos catalães Convergència e Esquerda Republicana
da Catalunha (ERC), assim como pelo conservador Partido Popular (PP) e pelo
Partido Socialista Catalão (PSC).
Na
época, eles argumentaram que essas festas, onde o touro é o protagonista, fazem
parte de uma tradição que deve ser respeitada porque fazem parte da cultura
local em muitas partes da região. A legislação afirmava que essas festas têm
origens que remontam ao século XVII e que se tornaram mais difundidas nos dois
séculos seguintes. Paradoxalmente, era a mesma lei que expressamente “proibia
touradas”.
Um
total de 457 festas envolvendo touros ocorreu na Catalunha no ano passado,
incluindo o que é conhecido como “bou embolat”, quando um touro é imobilizado
para que tochas flamejantes possam ser amarradas aos seus chifres antes de
soltá-lo pelas ruas, e o “bou capllaçat”, quando o touro é arrastado pelas ruas
por cordas amarradas aos seus chifres.
Foto: TONI FERRAGUT
A
maioria desses eventos, 439 no total, foi celebrada em mais ou menos 30
municípios em Terres de l’Ebre, no sul da região, onde várias atividades
diferentes envolvendo touros são programadas em um único dia. Em outros lugares
da Catalunha, há outros municípios que programam corridas de touros, como El
Morell e Mont-roig del Camp, em Tarragona.
Vidreres
é o único município da província de Girona que continua realizando festas
envolvendo touros, depois que Torroella de Montgrí, Olot e Roses optaram por
não continuar com eles. Na província de Barcelona, eles podem ser encontrados
em Cardona e Santpedor, enquanto Badalona e Vilafranca del Penedès também os
ofereceram, depois de retirá-los de seus programas há vários anos.
Nenhuma
tradição serve como justificativa para o sofrimento, abuso e morte de animais.
Colocar fogo nos chifres de touros, obriga-los a correr por ruas desesperados e
perseguidos sendo assediados por multidões, empurra-los no mar ou arrastá-los é
corda não é entretenimento, é tortura e motivo de vergonha e não orgulho como
ditam as tradições.
Fonte: anda.jor.br


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