Ao menos 44 cachorros da raça foxhound americano
foram resgatados na manhã de segunda-feira (23) em canil mantido numa fazenda
na MS-040, em Campo Grande. Os bichos estavam amarrados, expostos ao calor, sem
água ou alimentação adequada. Além disso, alguns deles estavam em um cubículo
repleto de fezes.
O fazendeiro responsável pelos animais disse ter
ficado surpreso ao ser informado sobre a situação de maus-tratos. Ele adestrava
os cães para caça e vendia para todo o Brasil por valores entre R$ 500 e R$ 2
mil.
O investigador Alexei Rocha, da Decat (Delegacia
Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista),
explicou que denúncias sobre o caso foram recebidas na última quinta-feira
(19). Na ocasião, investigadores e servidores do CCZ (Centro de Controle de
Zoonoses) foram até a propriedade e confirmaram a queixa. Hoje, recolheram os
bichos.
Quando a equipe chegou, encontrou os animais
magros, amarrados com uma corda, sem água e sem alimentação adequada. A sujeira
do ambiente também chamou atenção. Alguns bichos estavam comendo fezes. “Isso
demonstra que não estavam sendo bem atendidos”, comentou o investigador.
Em um galinheiro usado como “canil improvisado”,
que não era limpo há meses, foram encontrados oito filhotes e apenas um pote
pequeno com água também amarelada.
O policial reforça a necessidade
de um espaço com estrutura e instalação adequada para cuidar de tantos animais,
inexistente ali naquela fazenda.
A agente fiscal sanitária do CCZ, Heloísa Gonçalves
Oliveira, comentou que os bichos não serão levados para a sede do órgão, mas
para ONGs (Organizações Não-Governamentais) parceiras. Essas entidades vão
ficar como fiéis depositárias dos animais até que haja encaminhamento. Eles
foram vacinados contra raiva ainda na propriedade.
Nesse processo de triagem, os bichos também
receberam chips de identificação, foram fotografados e identificados também
quanto a possíveis lesões. Eles foram classificados como SRD (Sem Raça
Definida). Isto porque apesar da predominância da raça americano, alguns foram
cruzados com outras raças. O objetivo do fazendeiro era melhorar a genética dos
animais comercializados como cães de caça, especialmente javali.
O proprietário da fazenda Joilson Ferreira, de 59
anos, conversou com a reportagem do Campo Grande News e disse ter trabalhado a
vida inteira com venda de animais, seguindo o exemplo do pai dele. Ele não
consegue enxergar a situação dos bichos como maus-tratos.
“Não sei o que foi observado que configura
maus-tratos. Fui pego de surpresa”, declarou ele, reclamando de não ter sido
“notificado” durante a primeira visita do CCZ e da Decat a resolver a situação.
“Se fosse maus-tratos nem vivos eles estariam”, completou.
Ele será levado para a Decat para prestar
esclarecimento sobre o caso. Veja mais imagens na galeria:
Fonte e fotos: Campo Grande News





Nenhum comentário:
Postar um comentário