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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Cremação de cão morto no Carrefour de Osasco (SP) prejudica investigação


A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte de um cachorro no Carrefour de Osasco (SP). O corpo do cão ter sido cremado, no entanto, está prejudicando a investigação sobre o caso. Relatos apontam que um funcionário da empresa, da área de segurança, agrediu o cachorro de forma brutal após receber orientação para que o animal fosse retirado do local. Há, também, a suspeita de que ele tenha sido envenenado.

(Foto: Redes Sociais)
Havia uma expectativa de que um laudo determinasse a causa da morte do animal. No entanto, devido à cremação do corpo, tornou-se difícil comprovar se o cão sofreu agressões ou foi envenenado. O responsável por cremar o cachorro foi o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) do município, que alega ter tomado tal providência por não ter, no momento do resgate do animal, informações sobre os maus-tratos, mas apenas a versão de que o cão havia sido atropelado. As informações são do blog Bom Pra Cachorro, da Folha de S. Paulo.
O cachorro foi levado, na última quinta-feira (29), ainda com vida, pelos funcionários do CCZ, mas não resistiu. Relatórios sobre o atendimento do animal apontam sinais de envenenamento, segundo o delegado Bruno Lima, eleito deputado estadual pelo PSL, e que está acompanhando a investigação sobre o caso.

Internauta publicou arte em homenagem a cão morto (Arte: Geraldo Felício)
Imagens do cachorro ferido com manchas de sangue pelo chão e do animal sendo socorrido, com grande quantidade de sangue ao redor dele, circularam nas redes sociais nos últimos dias e geraram revolta nos internautas, além de um protesto por parte de ativistas.

Internauta publicou arte em homenagem a cão morto (Arte: Geraldo Felício)
“Consta que o animal chegou com sinais clínicos de envenenamento. Não tem a necropsia porque o corpo já havia sido incinerado, pois a denúncia de espancamento só veio depois – até então o Centro de Bem Estar Animal acolheu como caso de atropelamento”, explica a ativista Beatriz Silva, presidente da ONG Bendita Adoção e que tem acompanhado o caso de perto.
Segundo a delegada Silvia Fagundes, da Delegacia do Meio Ambiente, a gerência da unidade do Carrefour de Osasco já foi ouvida e a versão de atropelamento não foi mencionada. Outros funcionários serão chamados a depor, inclusive o segurança apontado como responsável por agredir o cachorro. De acordo com Silvia, imagens da loja e da região devem ajudar a solucionar o caso. Ela considera, entretanto, que ainda é cedo para apontar responsabilidades.
O delegado Bruno esteve no supermercado no último final de semana. Ele conta ter ouvido quatro pessoas, sendo que uma delas disse ter presenciado as agressões. A testemunha também deve ser chamada para depor.
Por meio de nota, divulgada na segunda-feira (3), o Carrefour afirmou repudiar qualquer tipo de maus-tratos contra animais. Anteriormente, a empresa já havia dito que tinha afastado, até o final da investigação, a equipe responsável pela segurança no dia em que o animal foi encontrado ferido.
O supermercado disse que, segundo apuração preliminar, o cachorro circulava há dias pelo estacionamento do local e o CCZ foi acionado “por diversas vezes” para realizar o resgate. No dia em que o animal foi resgatado gravemente ferido, ainda segundo o Carrefour, clientes se queixaram sobre a presença do cachorro e um funcionário de empresa terceirizada tentou afastá-lo, o que “pode ter ocasionado um ferimento na pata do animal”.
Ao chegar no local, a equipe do CCZ usou um enforcador para imobilizar o cão. Momento no qual, segundo o supermercado, o cachorro desfaleceu. “Estamos colaborando com as autoridades, disponibilizamos todas as informações e imagens para que o fato seja solucionado”, diz a nota.
A Prefeitura de Osasco também se posicionou, afirmando que o Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal foi acionado no dia 29 para socorrer um cachorro, “possivelmente vítima de atropelamento, no estacionamento do hipermercado”. Nota da administração municipal informou que o departamento recebeu a denúncia de que o cachorro não havia sido atropelado, mas espancado e envenenado, apenas na noite de sexta-feira (30).
“Novamente, funcionários do Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal estiveram no hipermercado, onde encontraram o delegado Bruno [São Paulo], que colheu depoimentos de testemunhas e registrou boletim de ocorrência na Delegacia do Meio Ambiente para a abertura de inquérito policial”, afirma a nota.
A Prefeitura de Osasco afirmou que irá acompanhar o inquérito e disponibilizar imagens de câmeras de monitoramento da região para colaborar com a investigação.
Maus-tratos a animais é crime e pode ser punido com detenção de três meses a um ano, além de multa.
Petição
Um abaixo-assinado online, que já coletou mais de 507 mil assinaturas, pede justiça para o caso. No texto da petição, endereçada ao Ministério Público e ao delegado Bruno Lima, é solicitado que o responsável pela morte do cão seja preso e que o Carrefour responda judicialmente “por orientar funcionários se livrar do animal de maneira cruel”.
Fonte: anda.jor.br

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