A Polícia Civil abriu um inquérito para
apurar as circunstâncias da
morte de um cachorro no Carrefour de Osasco (SP). O corpo do cão ter sido
cremado, no entanto, está prejudicando a investigação sobre o caso. Relatos
apontam que um funcionário da empresa, da área de segurança, agrediu o cachorro
de forma brutal após receber orientação para que o animal fosse retirado do
local. Há, também, a suspeita de que ele tenha sido envenenado.
(Foto: Redes Sociais)
Havia uma expectativa de que um laudo
determinasse a causa da morte do animal. No entanto, devido à cremação do
corpo, tornou-se difícil comprovar se o cão sofreu agressões ou foi envenenado.
O responsável por cremar o cachorro foi o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ)
do município, que alega ter tomado tal providência por não ter, no momento do
resgate do animal, informações sobre os maus-tratos, mas apenas a versão de que
o cão havia sido atropelado. As informações são do blog Bom Pra Cachorro, da
Folha de S. Paulo.
O cachorro foi levado, na última
quinta-feira (29), ainda com vida, pelos funcionários do CCZ, mas não resistiu.
Relatórios sobre o atendimento do animal apontam sinais de envenenamento,
segundo o delegado Bruno Lima, eleito deputado estadual pelo PSL, e que está
acompanhando a investigação sobre o caso.
Internauta publicou arte em homenagem a cão morto (Arte: Geraldo
Felício)
Imagens do cachorro ferido com
manchas de sangue pelo chão e do animal sendo socorrido, com grande quantidade
de sangue ao redor dele, circularam nas redes sociais nos últimos dias e
geraram revolta nos internautas, além
de um protesto por parte de ativistas.
Internauta publicou arte em homenagem a cão morto (Arte: Geraldo
Felício)
“Consta que o animal chegou com
sinais clínicos de envenenamento. Não tem a necropsia porque o corpo já havia
sido incinerado, pois a denúncia de espancamento só veio depois – até então o
Centro de Bem Estar Animal acolheu como caso de atropelamento”, explica a
ativista Beatriz Silva, presidente da ONG Bendita Adoção e que tem acompanhado
o caso de perto.
Segundo a delegada Silvia Fagundes,
da Delegacia do Meio Ambiente, a gerência da unidade do Carrefour de Osasco já
foi ouvida e a versão de atropelamento não foi mencionada. Outros funcionários
serão chamados a depor, inclusive o segurança apontado como responsável por
agredir o cachorro. De acordo com Silvia, imagens da loja e da região devem
ajudar a solucionar o caso. Ela considera, entretanto, que ainda é cedo para
apontar responsabilidades.
O delegado Bruno esteve no
supermercado no último final de semana. Ele conta ter ouvido quatro pessoas,
sendo que uma delas disse ter presenciado as agressões. A testemunha também
deve ser chamada para depor.
Por meio de nota, divulgada na
segunda-feira (3), o Carrefour afirmou repudiar qualquer tipo de maus-tratos
contra animais. Anteriormente, a empresa já havia dito que tinha afastado, até
o final da investigação, a equipe responsável pela segurança no dia em que o
animal foi encontrado ferido.
O supermercado disse que, segundo
apuração preliminar, o cachorro circulava há dias pelo estacionamento do local
e o CCZ foi acionado “por diversas vezes” para realizar o resgate. No dia em
que o animal foi resgatado gravemente ferido, ainda segundo o Carrefour,
clientes se queixaram sobre a presença do cachorro e um funcionário de empresa
terceirizada tentou afastá-lo, o que “pode ter ocasionado um ferimento na pata
do animal”.
Ao chegar no local, a equipe do CCZ usou
um enforcador para imobilizar o cão. Momento no qual, segundo o supermercado, o
cachorro desfaleceu. “Estamos colaborando com as autoridades,
disponibilizamos todas as informações e imagens para que o fato seja
solucionado”, diz a nota.
A Prefeitura de Osasco também se
posicionou, afirmando que o Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal foi
acionado no dia 29 para socorrer um cachorro, “possivelmente vítima de
atropelamento, no estacionamento do hipermercado”. Nota da administração
municipal informou que o departamento recebeu a denúncia de que o cachorro não
havia sido atropelado, mas espancado e envenenado, apenas na noite de
sexta-feira (30).
“Novamente, funcionários do
Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal estiveram no hipermercado, onde
encontraram o delegado Bruno [São Paulo], que colheu depoimentos de testemunhas
e registrou boletim de ocorrência na Delegacia do Meio Ambiente para a abertura
de inquérito policial”, afirma a nota.
A Prefeitura de Osasco afirmou que
irá acompanhar o inquérito e disponibilizar imagens de câmeras de monitoramento
da região para colaborar com a investigação.
Maus-tratos a animais é crime e pode
ser punido com detenção de três meses a um ano, além de multa.
Petição
Um
abaixo-assinado online, que já coletou mais de 507 mil assinaturas, pede
justiça para o caso. No texto da petição, endereçada ao Ministério Público e ao
delegado Bruno Lima, é solicitado que o responsável pela morte do cão seja
preso e que o Carrefour responda judicialmente “por orientar funcionários se
livrar do animal de maneira cruel”.
Fonte: anda.jor.br



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