Foto: Divulgação/ ASCOM/SMAC
Uma denúncia feita pelo
ecologista e membro fundador do projeto Baía Viva, Sérgio Ricardo Verde, aponta
que a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente
(SMAC) estão promovendo desmonte ambiental no munícipio e tentando extinguir o
projeto Mutirão Reflorestamento, que já realizou o plantio de mais de 10
milhões de árvores na cidade, sendo, inclusive, premiado pela ONU.
O Mutirão não só está ajudando na
recuperação da Mata Atlântica, como também alia sustentabilidade e
empregabilidade. A extinção do projeto não só impactará negativamente o meio
ambiente, como toda a cidade e sua população. Sérgio Ricardo postou um artigo no portal Tribuna da
Imprensa Livre, no qual esmiúça que medidas estão sendo tomadas para
a preservação do programa ambiental.
Leia
abaixo na íntegra:
Na semana do Dia Mundial da Água,
o Movimento Baía Viva ingressou com uma Representação junto ao MINISTÉRIO
PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (MP-RJ), aos cuidados do coordenador do
Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA). Promotor de Justiça
José Alexandre Maximino Mota, e da PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA, endereçada
aos Procuradores da República Sergio Gardenghi Suiama e Jaime Mitropoulos,
requerendo a apuração das responsabilidades cíveis e criminais por parte do
Prefeito da cidade do Rio de Janeiro Eduardo Paes (DEM) e do atual titular da
Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) em relação à absurda tentativa de
esvaziamento, desmonte e desmantelamento do conceituado Programa Mutirão
Reflorestamento, que caso não seja revista provocará os seguintes danos
ambientais e impactos:
Ameaça ao
ecossistema Mata Atlântica, protegida pela CF de 1988 e a Lei Federal
n.11.428/2006, com impactos diretos quanto ao não cumprimento das metas de
redução dos Gases de Efeito estufa (GEE) previstas na Política Municipal de
Mudanças Climáticas (Lei Municipal nº 5.248 de 27/01/2011);
Abandono de política pública de
caráter preventivo que é referência como intervenção voltada à
evitar/minimizar/reduzir os riscos de deslizamentos e/ou desmoronamentos de
áreas de riscos como encostas e morros do município
Cortes orçamentários e demissão
em massa de trabalhadores capacitados que atuavam no projeto Mutirão
Reflorestamento.
O Baía Viva aponta na denúncia a
violação dos Princípios da Precaução e da Prevenção previstos na Lei
Federal no. 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente) e amplamente
consagrados no Direito Ambiental nacional e internacional; visando apurar as
responsabilidades administrativas e criminais previstas nas leis federais
no. 9.605/1997 (Crime Ambiental) e no. 8.429/1992 (Improbidade
Administrativa).
Os ecologistas destacam que: Em
plena semanada do Dia Mundial da Água, a sociedade carioca foi surpreendida
pela ação equivocada adotada por parte do Prefeito da cidade do Rio de
Janeiro, Eduardo Paes (DEM), e do atual titular da Secretaria Municipal de
Meio Ambiente (SMAC) de promover uma tentativa de esvaziamento, desmonte e
desmantelamento do conceituado Programa Mutirão Reflorestamento que é uma
referência nacional e internacional na recuperação de áreas degradadas e contenção
de encostas, já tendo sido premiado pela ONU HABITAT, entre outros.
Sobre a tentativa de destruição
do Mutirão pela atual administração municipal, hoje (24/03/2021) o Baía Viva
apurou junto aos trabalhadores (plantadores) que: a remuneração salarial de
Fevereiro não foi paga; houve redução do valor a ser pago em Março e que as
demissões em massa serão efetivadas a partir de abril.
Um dos principais impactos desta
medida absurda e ilegal, que esperamos seja imediatamente revista pelo Poder
Público municipal a partir da atuação conjunta deste MPF-RJ e do MP-RJ, é que
os cortes orçamentários promoverá a demissão em massa de trabalhadores
capacitados que há anos (alguns há décadas!) atuavam no projeto Mutirão
Reflorestamento, que pelas informações preliminares disponíveis sofrerá a
redução de quase 50% no número de participantes do Programa Mutirão
Reflorestamento na Cidade do Rio de Janeiro.
A legislação ambiental brasileira
tem como base do Direito Ambiental os princípios da Precaução e da Prevenção
que serão desrespeitados com o desmantelamento de um dos principais programas
ambientais da cidade.
O Mutirão Reflorestamento foi
criado no final dos anos 1980 na gestão do ex-Prefeito Saturnino Braga, num
período em que a cidade sofria muitos deslizamentos de encostas nos morros e
favelas durante os períodos de chuvas fortes que provocavam impactos
socioambientais e mortes. Foi uma iniciativa pioneira na contratação de mão de
obra local para projetos ambientais.
São indiscutíveis os relevantes
benefícios sociais e os serviços ambientais gerados pelo Programa Mutirão
Reflorestamento ao longo dos últimos 34 anos na prevenção de desastres nas
encostas da Cidade, sendo que uma característica marcante deste projeto
inovador é o fato de ser executado em parceria com os moradores de comunidades
de baixa renda e favelas.
Neste aspecto, trata-se de um
exemplo de que é possível aliar reflorestamento com geração de renda e trabalho
que é socialmente extremamente relevante, em especial num momento de desemprego
estrutural associado aos efeitos da pandemia Coronavírus onde comprovadamente
houve um acentuado aumento das desigualdades sociais no município,
O Mutirão Reflorestamento, além
de ser uma iniciativa reconhecida nacional e internacionalmente, tem um
componente inovador de criar uma parceria entre o poder publico e a população
de áreas de risco para tornar a Cidade do Rio de Janeiro mais segura e ainda
mais bonita e verde. Infelizmente, esta política pública exitosa encontra-se
ameaçada pela atual administração municipal.
No meio de uma pandemia, uma
grande preocupação diz respeito às pessoas demitidas que são as mais
vulneráveis por viverem nas favelas e que trabalhavam em um programa que
beneficia a todos nós cariocas.
O Mutirão já chegou a ter 1000
colaboradores divididos em equipes com 15 homens. Esse número vem caindo a cada
gestão. Porém, agora chegou no nível crítico, de limitados 453 homens na virada
do ano para míseros 279 homens com essa decisão. Esse número é insuficiente
para manter as áreas reflorestadas com qualidade, pois as equipes ficaram
reduzidas para 2 ou 3 homens apenas para realizar a manutenção de superfícies
de 15 a 20 hectares (algumas equipes com 1 solitário homem somente). Caso seja
mantida esta decisão equivocada, chegamos ao número mínimo de reflorestadores
das últimas décadas. Teremos perda de vegetação (leia-se dinheiro público e
qualidade ambiental da cidade) em decorrência de incêndios anuais ou invasão
(de pessoas, animais ou capim nas áreas mais frágeis.
O Mutirão também tem uma
importante contribuição para o enfrentamento das “ilhas de calor” nos bairros
da cidade que tem se intensificado com os efeitos das mudanças climáticas;
Caso esta
situação não seja revertida, estaremos diante de uma grave situação de ameaça
ao ecossistema Mata Atlântica, protegida pela CF de 1988 e a Lei Federal
n.11.428/2006; assim como a destruição do Mutirão provocará impactos diretos em
relação ao não cumprimento das metas de redução dos Gases de Efeito estufa
(GEE) previstas na Política Municipal de Mudanças Climáticas (Lei Municipal nº
5.248 de 27/01/2011).
Conforme consta do próprio site
da Prefeitura do Rio, é importante ressaltar que: “A Cidade do Rio de
Janeiro foi uma das primeiras no país a definir uma Política Municipal de
Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável, estabelecendo metas de
redução de emissões de gases do efeito estufa para os próximos anos: até 8% em
2012, até 16% em 2016 e até 20% em 2020, com relação às emissões registradas em
2005 pelo Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa elaborado pela SMAC
em parceria com a COPPE. Tais metas serão devidamente controladas pela entrada
em operação do sistema de monitoramento dos gases do efeito estufa em 2012.” (Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/web/smac/mudancas-climaticas1#:~:text=A%20Cidade%20do%20Rio%20de,2020%2C%20com%20rela%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0s%20emiss%C3%B5es)
O desmonte ou desmantelamento do
Mutirão está em profunda contradição e, portanto, também impactará
negativamente o processo de implementação por parte da Prefeitura do Rio do seu
Plano de Ação Climática, que tem uma meta ousada, em benefício do meio ambiente
de zerar, até 2050, a emissão de dióxido de carbono e outros gases causadores
do efeito estufa e, por consequência, do aquecimento global, sendo que este
plano é resultado de um compromisso assinado pela Prefeitura do Rio de Janeiro
com o C40, grupo de grandes cidades do planeta empenhadas em combater o
aquecimento global, que é um compromisso da municipalidade em relação ao
cumprimento das metas do Acordo de Paris, de 2015, do qual o Brasil é um dos
signatários.
É importante frisar que junto ao
Grupo C40 – colegiado formado por 70 cidades de Grandes Cidades
mundiais para Liderança do Clima empenhadas em combater a mudança climática -,
a Prefeitura do Rio se comprometeu a elaborar projetos e desenvolver ações
voltadas a compensar as emissões produzidas no território municipal, que
seriam “compensadas com medidas como preservação de áreas verdes e
reflorestamento”.
A iniciativa do C 40 está
integrada ao Plano de Desenvolvimento Sustentável do Município do Rio, que tem
participação de vários órgãos municipais e metropolitanos, sendo que caso
ocorra a destruição do Mutirão além de uma grande ilegalidade, estaríamos
diante de uma profunda contradição administrativa, pois, na prática, não é
possível se pensar em “resiliência” ou em “desenvolvimento sustentável” sem se
considerar a importância e múltiplos benefícios geados pelo Mutirão
reflorestamento!
Fonte do artigo: Tribuna da Imprensa Livre

Nenhum comentário:
Postar um comentário