Mariana Dandara | Redação ANDA
(Acervo: Jornal de Brasília)
O Projeto de Lei (PL) 2452/2011,
que pretende transformar a vaquejada em atividade desportiva formal, será
analisado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da
Câmara dos Deputados nesta terça-feira (30) durante Reunião Deliberativa Extraordinária,
realizada de maneira virtual por conta da pandemia de coronavírus.
De autoria do deputado estadual
Efraim Filho (DEM-PB), o projeto ignora a crueldade animal inerente à vaquejada
e incentiva a prática sob a falácia de que será respeitado o bem-estar dos
cavalos e dos bois forçados a participar das competições.
No texto do projeto de lei,
Efraim diz que “há centenas de vaquejadas realizadas em todo território
nacional, em eventos não apenas recreativos, mas também profissionais” e afirma
que “é imprescindível assegurar a integridade dos animais que participam das
competições”. “Por este motivo, o presente Projeto de Lei dispõe que as normas
de segurança sejam regulamentadas, posteriormente, de forma precisa”, completa.
No entanto, ao explicar o que é a
vaquejada, o deputado omite descrições mais detalhadas que provariam que é
impossível praticar essa atividade sem submeter animais à crueldade. No PL,
Efraim afirma que a vaquejada é um “evento público de competição, em duplas,
com montarias, de domínio sobre bovinos, no qual é julgada a habilidade do
atleta em dominar o animal com destreza e perícia”.
A vaquejada, porém, é muito mais
do que o descrito pelo parlamentar. Nas competições, duas pessoas montadas em
cavalos têm que derrubar um boi, puxando-o pelo rabo. Considerando que há
terminações nervosas na cauda desses animais, puxá-los pelo rabo os submete à
dor. Além disso, enquanto são perseguidos pelos competidores, os bois sofrem
abalos emocionais causados pelo estresse – e é justamente por estarem
assustados, com medo e estressados, que eles fogem.
Em 2016, o Conselho Federal de
Medicina Veterinária (CFMV) divulgou uma nota por meio da qual confirmou que a
vaquejada submete os animais à crueldade. “O gesto brusco de tracionar
violentamente o animal pelo rabo pode causar luxação das vértebras, ruptura de
ligamentos e de vasos sanguíneos (…) e a queda também pode resultar em
contusões na musculatura e lesões aos órgãos internos”, explicou a então
presidente da Comissão de Ética, Bioética e Bem-Estar Animal (Cebea) do CFMV,
Profª. Drª. Carla Molento. Além disso, o impedimento de fuga gera no animal
reações de ansiedade, medo e desespero – o que, segundo a especialista,
“confirma o sofrimento emocional a que os bois são expostos em uma vaquejada”.
Esses argumentos, no entanto, não
convencem os ruralistas, que seguem defendendo a vaquejada e disseminando
falácias sobre bem-estar animal que, na prática, não se sustentam. Por conta
dessa insistência em proteger esses eventos, o PL 2452/2011, que estava parado
há anos na Câmara dos Deputados, recentemente foi pautado pela presidente da
Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a deputada Carla
Zambeli (PSL), que se elegeu em 2018 com o apoio do presidente Jair Bolsonaro
(sem partido).
Caso seja aprovado pela comissão,
o projeto passará por outras duas comissões antes de ser votado em plenário. Na
opinião do Fórum Animal de Proteção e Defesa Animal, a possível aprovação dessa
proposta “é um enorme risco para a proteção jurídica dos animais, uma vez que
dará maior respaldo para a realização da prática, considerando-a esporte”.
“Seres humanos podem escolher se
tornarem esportistas, os animais não! Eles são explorados e submetidos a
práticas contrárias à sua natureza e dignidade. Não há como garantir bem-estar
em uma prática intrinsecamente cruel. Vaquejada não é cultura, não é esporte.
E, sim, crueldade!”, completou a instituição.
Através de uma publicação nas
redes sociais, o Fórum Animal pediu que os internautas acessem o site da Câmara
dos Deputados e votem na enquete que pede a opinião da população sobre o PL
2452/2011. “Vote em ‘discordo totalmente’ na enquete da Câmara”, solicitou a
entidade.
Fonte: anda.jor.br

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