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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Testes: Veterinária formada pela WSU afirma que até 68 animais saudáveis ​​eram mortos a cada primavera em laboratórios de treinamento pouco transparentes


 Foto: iStock

Uma estudante recém-formada pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Washington afirmou que, nas primaveras, a instituição utilizava terminal labs (aulas práticas com animais vivos) em seu programa de treinamento em animais de grande porte. A atividade pôs fim às vidas de bodes e cavalos saudáveis.

A acusação está gerando debates sobre a forma como as faculdades veterinárias treinam os futuros cirurgiões e se animais que poderiam se recuperar, receber tratamento, ou ser adotados estão sendo utilizados de maneiras antiquadas e pouco transparentes, na opinião de críticos.

O que aconteceu?

Segundo uma notícia do jornal Capital Press, Larrea Cottingham disse que a disciplina eletiva de cirurgia em animais de grande porte envolveu a eutanásia de até sessenta bodes e oito cavalos nos semestres da primavera. As aulas práticas chamadas de terminal labs praticam a cirurgia em animais saudáveis seguida de eutanásia ao invés de recuperação.

Cottingham afirmou que passou mais de um ano trazendo atenção ao problema e criando pressão a favor de mudanças no currículo e mais transparência para os estudantes. Ela afirma que um colega de classe não sabia, até chegar na metade do curso, que cavalos seriam submetidos à eutanásia. Isso motivou ela a pedir aos administradores que atualizassem o programa da disciplina. A informação foi acrescentada depois, segundo ela.

Em março, a universidade cancelou a parte do curso que envolvia cavalos após os órgãos Our Honor e People for the Ethical Treatment of Animals organizarem campanhas por e-mail. A universidade comunicou que a decisão foi tomada em meio a um “grande volume de mensagens ameaçadoras e hostis” e que os estudos com cavalos estavam planejados para terminar após o semestre da primavera, segundo o jornal Capital Press.

Por que isso importa?

Bodes e cavalos saudáveis são o centro da controvérsia. Cottingham disse que a morte dos cavalos pode ter sido desnecessária. Ela destacou que os estudantes receberam a informação de que os cavalos provinham de um programa de pesquisa do Departamento de Agricultura (USDA) e que a eutanásia era inevitável. Após meses de questionamentos, ela passou a acreditar que não havia nenhuma política vigente exigindo a eutanásia fora dos casos em que os animais representam risco à segurança ou à saúde pública.

Cottingham acrescenta que a questão não trata apenas do bem-estar animal mas também da confiança e do consentimento informado. Ela disse ao Capital Press que estudantes devem saber desde o início se um curso envolve o término da vida de um animal, especialmente em uma profissão voltada para o cuidado, a recuperação e ao alívio de dor.

O debate está decorrendo ao mesmo tempo que muitas comunidades rurais enfrentam escassez de veterinários especializados no cuidado de animais de grande porte. Cottingham argumentou que o uso de animais saudáveis em laboratórios deixa passar a oportunidade de treinar estudantes com o tratamento de animais que realmente necessitam de cuidados, uma abordagem que, em sua visão, poderia beneficiar tanto os estudantes quanto as comunidades carentes.

O que está sendo feito?

Cottingham contou ao Capital Press que a ação dos estudantes provocou algumas mudanças. Ela disse que, após ter trazido mais atenção para o bem-estar dos animais, o curso e o protocolo do Comitê Institucional de Cuidados e Uso de Animais foram alterados, de modo que os cavalos fossem submetidos a todos os procedimentos durante uma única anestesia em vez de múltiplas cirurgias ao longo de várias semanas.

Ela também citou alternativas já em prática na universidade. O curso de cirurgia de animais de pequeno porte para alunos iniciantes utiliza um centro de simulação e possui parcerias com abrigos de animais e organizações de resgate. Alunos do quarto ano realizam estágio em abrigos. Cottingham afirmou que os alunos também podem adquirir experiência adicional por meio de oportunidades profissionais eletivas, sem depender de procedimentos de eutanásia.

Em uma perspectiva mais ampla, ela acredita que as faculdades de medicina veterinária deveriam ampliar o treinamento voltado para a prestação de serviços nas comunidades vizinhas, oferecendo aos alunos experiência prática supervisionada ao mesmo tempo que auxiliam animais necessitados.

“Meu objetivo sempre foi aprimorar o programa de treinamento em cirurgia da Universidade Estadual de Washington para que mais estudantes estejam adequadamente treinados em cirurgia, possam prestar cuidados a uma grande variedade de espécies e nunca precisem escolher entre sua formação e sua consciência”, disse Cottingham. “[…]Aquilo não era um uso responsável dos recursos, e não estava preparando os estudantes para a realidade da profissão em área rural.”

Po Cam Deal / Tradução de José Arthur da Costa e Silva

Fonte: Yahoo! News

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